sábado, 21 de junho de 2008

Opinião do Estadão: A aberração dos precatórios

Muitos não se dão conta de que a própria existência dos chamados "precatórios" é uma aberração ético-jurídica. Se é o Estado que estabelece e garante a tutela jurisdicional que protege todos os cidadãos de uma sociedade, "dando a cada um o que é seu" por meio de decisão coercitiva de um de seus Poderes - o Judiciário -, como explicar que este mesmo Estado, por outro de seus Poderes - o Executivo -, despreze sistematicamente os direitos alheios, não pagando o que deve aos cidadãos mesmo se condenado, judicialmente, a fazê-lo? Na origem etimológica da palavra - que vem do precatoriu latino - já está o desequilíbrio descabido da relação Estado/Cidadãos, visto que o termo significa um "pedido" do cidadão à autoridade. Ora, por que pedir - e não cobrar - aquilo a que se tem direito por decisão da Justiça?

Se somadas, as dívidas que os Estados e municípios têm com os cidadãos - em precatórios - chegam à enormidade de R$ 100 bilhões. Só por esse motivo, se se comprovar a previsão do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), segundo a qual os entes da Federação em atraso quitarão seus débitos em 15 anos, com as novas regras para pagamento de precatórios aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tais mudanças já se justificam. Há que se examinar, no entanto, aquilo que parece positivo e o que - pelo menos à primeira vista - parece um tanto esquisito no novo projeto.

Pelas novas regras, os entes devedores ficam obrigados a reservar parte da receita corrente líquida para pagar precatórios. Os Estados vincularão de 0,6% a 2% da receita, e os municípios, de 0,6% a 1,5%. Quem aderir ao novo sistema não estará mais sujeito ao seqüestro de suas receitas. Este ponto do projeto é, sem dúvida, positivo, primeiro, porque fará os administradores públicos organizarem melhor seus orçamentos, tendo em vista um respeito maior a seus credores. Segundo, porque a medida judicial de seqüestro de receita na prática não tem funcionado. Um juiz determina um bloqueio e outro logo o libera (os entes públicos são fortes!). Pedidos de intervenção federal no ente inadimplente também têm sido sistematicamente negados pelo STF.

Pelo projeto, 50% dos precatórios serão destinados a leilão, onde os credores poderão receber o pagamento com deságios que podem chegar a 80% do total devido. Em relação à outra metade, 30% serão pagos na ordem crescente do menor para o maior valor e 20% seguirão a ordem cronológica. Credores acima de 60 anos terão prioridade. Sobre estes pontos, o que nos ocorre, primeiro, é que o desconto de 80% de uma dívida significa valorizar os direitos e bens dos cidadãos com os critérios da bacia das almas. Já o critério do pagamento na ordem crescente, do menor para o maior valor, parece razoável no sentido de "fazer andar a fila": às vezes o pagamento de um só precatório, de grande valor, impossibilita o atendimento de um sem-número de pequenos e necessitados credores.

Certamente há muitas - e justas - reações de entidades de credores às mudanças legais na área, que ainda dependem de votação em dois turnos no Senado, antes de seguir para a Câmara dos Deputados. O presidente do Movimento dos Advogados em Defesa dos Credores Alimentares (Madeca), por exemplo, afirma que "as mudanças favorecem governadores e prefeitos, que têm força política, mas não os credores".

Sobre os leilões, é de registrar a crítica do presidente da OAB: "Significa que se pode leiloar o Judiciário. Não se podem flexibilizar as sentenças judiciais." Haverá exagero nestas palavras?

Ótimo seria, é claro, que os entes devedores simplesmente pagassem suas dívidas aos cidadãos, sem necessidade de "pedidos" (precatórios), leilões, deságios ou o que mais possa embaraçar o sagrado dever jurisdicional de "dar a cada um o que é seu". Infelizmente, a realidade administrativa brasileira está bem longe disso. Então, há que, pelo menos, minorar o colapso do atual sistema de pagamento de dívidas dos entes públicos - ou seja, salvar alguma coisa dos direitos e bens dos cidadãos, em sua desequilibradíssima relação com o Estado.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Tarrafada: Operação Influenza da Polícia Federal - Fraudes têm relação com Porto de Itajaí


O rato Wilson Rebello, do porto de Itajaí

O delegado Roberto Cordeiro, da Polícia Federal (PF), disse que a Operação Influenza, deflagrada na manhã desta sexta-feira em Santa Catarina e São Paulo, tem relação com a Operação Iceberg, que prendeu 13 pessoas em janeiro deste ano por fraudes na Agência da Previdência Social de Tijucas, na Grande Florianópolis.

A Operação Influenza apura suspeitas de crime contra a administração pública, a ordem tributária, o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica.

Um total de 252 policiais federais e 33 auditores fiscais da Receita Federal estão cumprindo 6 mandados de prisão preventiva, 18 temporárias e 54 de busca e apreensão (45 em Santa Catarina e 9 em São Paulo). Entre os suspeitos estariam empresários, funcionários públicos e policiais. Segundo a Justiça Federal, a quadrilha teria sede em Itajaí e Balneário Camboriú.

Os crimes



Segundo o delegado, o núcleo principal da investigação começou a partir da descoberta de irregularidades no Porto de Itajaí.

— Dali em diante descobrimos uma grande rede de crime organizado. É um desdobramento da Operação Iceberg, onde foi preso o ex-superintendente do Porto, Wilson Rebelo.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os 13 presos da Operação Iceberg, a quadrilha que agia em Tijucas tinha um esquema de concessão de benefícios mediante fraude na Agência da Previdência Social do município.

Os integrantes da quadrilha, que incluía o servidor público federal João Roberto Porto, cobravam em média R$ 20 mil por aposentadoria concedida. A denúncia do MPF relata concessão de 126 benefícios, que teriam causado prejuízo de R$ 5 milhões.

No caso da Operação Influenza, os crimes foram praticados por uma organização com ramificações em Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau, São Francisco do Sul e Florianópolis, nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia, e nos países da Argentina, Holanda, Reino Unido, Malta, Itália, Noruega, Bermudas, França e Cingapura, entre outros.

Segundo a PF, a organização realizava operações cambiais ilegais, ocultava bens, rendas e movimentações financeiras com o emprego de "laranjas". Também realizava operações comerciais simuladas com o uso de documentos falsos e fraudava licitações.

Para realizar os crimes, os acusados corrompiam servidores públicos, principalmente nos Portos de São Francisco do Sul e de Itajaí, mediante o pagamento de propina.

A organização ainda mantinha equipes de profissionais e empresas em atividade para dar aparência regular a suas ações, além de investir recursos em negócios irregulares.

A PF informa ainda que há fortes indícios de fraudes em licitações promovidas pelo Porto de Itajaí, como o ajuste prévio de empresa vencedora em licitações, afastamento irregular das demais concorrentes e superfaturamento dos serviços contratados.

Os presos também articularam-se para praticar crimes contra o mercado imobiliário, a partir da compra de ações da empresa Agrenco SA., visando lucro indevido. Essa empresa aparece na investigação como vítima do esquema montado pelos acusados.

As penas previstas para os crimes ultrapassam cinqüenta anos de reclusão, além de multa. Os presos que têm curso superior ficarão detidos na sede da PF. Os demais serão encaminhados para o sistema prisional do Estado.

Dez carros já foram apreendidos. Entre eles estão veículos BMW, Land Rover, Toyota Filder e New Beetle.

A polícia irá agora interrogar os presos e fazer o trabalho de triagem no material apreendido. DC Online
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Atola negão: Polícia Federal realiza operação contra desvio de verbas do PAC

A Polícia Federal realiza nesta sexta-feira uma operação para combater o desvio de dinheiro público para casas populares e estações de tratamento de esgoto em vários municípios.

A operação, batizada de João de Barro, cumpre 231 mandados de busca e apreensão e 38 de prisão temporária em sete Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e no Distrito Federal.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e os de prisão pelo juiz Hermes Gomes, da 2ª Vara de Governador Valadares (MG).

Segundo a PF, uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) realizada em 29 municípios do leste de Minas Gerais revelou indícios de fraude na execução de obras.

O desfalque atingia as chamadas Transferências Voluntárias, que compreendem recursos financeiros repassados pela União aos Estados, Distrito Federal e municípios em decorrência da celebração de convênios ou empréstimos cedidos pela Caixa Econômica Federal e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

De acordo com a polícia, parte dessas transferências se destinam a custear obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A Polícia Federal informou que os projetos apresentados pelo esquema receberam o repasse de R$ 700 milhões, e a operação pode impedir que mais R$ 2 bilhões tenham o mesmo destino. Cerca de 1.000 policiais federais participam da João de Barro. Folha Online

Atualização das 12:02
PF cumpre mandados de busca em gabinetes no Congresso


Deputados João Magalhães e Ademir Camilo

Agentes da Polícia Federal cumprem dois mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG), no Congresso Nacional. A PF busca documentos relacionados à Operação João de Barro, cujo objetivo é detectar pessoas envolvidas em um esquema de fraudes em licitações com verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A suspeita é que a quadrilha tenha movimentado cerca de R$ 2,7 bilhões nos últimos meses. Até as 10h30, 17 pessoas haviam sido presas.

Cerca mil agentes da PF cumprem um total de 38 mandados de prisão e 231 de busca em apreensão e em sete Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins) e no Distrito Federal. As prisões devem ocorrer nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Governador Valadares, Lagoa Santa, Caratinga e Teófilo Otoni e também em Brasília, Goiânia e São Paulo. Redação Terra
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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mais uma do abobado: Lula critica STF por suspender desocupação na reserva Raposa

Em tom de desabafo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discordou nesta quinta-feira, da tese de produtores e madeireiros de que "há muita terra para pouco índio" e reclamou da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em abril, de suspender a retirada de arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ao participar de encontro da Comissão Nacional de Política Indigenista, no Ministério da Justiça, ele pediu rapidez no julgamento definitivo do processo de homologação contínua para evitar mais violência na região.

Num longo relato, lembrou que o governo ofereceu terras da União ao Estado e ofereceu indenizações com valores elevados para os fazendeiros deixarem a terra indígena. "Quando tomamos a decisão de que agora é a hora de pagar para ver, vamos tirá-los e colocar a Polícia Federal para exercer a função, veio a decisão da Suprema Corte", queixou-se. "Enquanto estiver na Suprema Corte, o presidente da República não pode fazer nada."

Segundo ele, o que o governo quer agora é rapidez do STF. "Antes que aconteça qualquer ato de violência mais sério lá, porque não faltam os que instigam, uma parte de pessoas políticas do Estado que querem confusão", ressaltou.

Lula reconheceu que o governo também é lento no atendimento de demandas da comunidade indígena. Ele voltou a reclamar de falsos diagnósticos de ministros e assessores sobre questões que envolvem comunidades nativas e grupos sociais. "As informações que recebo mostram que as coisas estão maravilhosas", ironizou.

O presidente citou o caso dos índios que vivem na reserva de Amambaí, a 350 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A reserva registrou, ao longo do governo Lula, uma série de mortes de crianças por desnutrição, além de suicídios e assassinatos. De acordo com avaliação de especialistas, isso é o resultado do tamanho da área - cerca de 7 mil índios dividem um espaço de 2.430 hectares.

"Há pouca terra para muitas pessoas", disse o presidente, referindo-se à reserva de Amambaí. Em 2006, o então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, causou revolta de povos indígenas ao afirmar em entrevista à agência Reuters que, no Brasil, havia muita terra para poucos índios. Estadão Online
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Crivella lamenta morte de jovens da Providência e Cabral chama militares acusados de marginais

O senador Marcelo Crivella (PRB) divulgou nota sobre os acontecimentos no Morro da Providência, que resultaram na morte de três jovens no último fim de semana. Militares do Exército teriam entregado três jovens do Morro da Previdência, ocupado pelas Forças Armadas, para traficantes de uma facção criminosa do Morro da Mineira, na manhã de sábado.

A presença de soldados do Exército no Morro da Providência foi justificada como uma forma de dar segurança aos trabalhadores do projeto Cimento Social, fruto de emenda do senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato a prefeito do Rio. Crivella é do mesmo partido do vice-presidente José Alencar, que já ocupou o cargo de Ministro da Defesa no primeiro governo do presidente Lula. O projeto consiste na reforma de 780 casas e recebeu R$ 12 milhões do Ministério das Cidades. O senador lamentou a morte dos jovens. Leia a íntegra da nota.

Já o Comando Militar do Leste (CML), em nota distribuída na tarde desta segunda-feira, afirmou que "repudia, veementemente, qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade praticada por seus integrantes, inclusive no desenvolvimento de operações de segurança na área abrangida pelo acordo de cooperação firmado entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa, por intermédio do comando do Exército, no contexto do projeto Cimento Social".

Na mesma nota, foi informado que o Exército permanecerá realizando a segurança do pessoal, material e equipamentos empregados nas obras do Projeto Cimento Social, no Morro da Providência.

O governador Sérgio Cabral chamou de marginais os militares que teriam agido no Morro da Previdência. Cabral considerou o caso muito grave e disse que a Polícia Civil identificou e pediu à Justiça a prisão dos 11 militares . A declaração foi feita nesta segunda-feira, em Berlim, onde o governador está em missão oficial.

- A Polícia Civil atuou com firmeza no caso desses 11 marginais que não honraram a farda do Exército Brasileiro. Eles estão apenas travestidos com a farda, portanto devem ser tratados como criminosos. Temos que agir dentro da lei. Não é porque alguém tem a farda que deve ser protegido - afirmou Cabral.

Sérgio Cabral fez questão de ressaltar que a conduta desses militares nada tem a ver com o Exército Brasileiro. O governador afirmou que o Exército é uma instituição honrada que merece todo o apreço do povo. O Globo Online
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Um pau no escórno é pouco - Governador de Rondônia quer CSS para combater desmatamento no país

O governador Ivo Cassol (Rondônia) sugeriu nesta quinta-feira a criação de um imposto nos moldes da CSS (Contribuição Social para a Saúde) para financiar ações de combate ao desmatamento no país. Cassol disse que, ao invés de o governo federal atribuir aos Estados a responsabilidade pelo combate ao desmatamento, deveria levantar fundos para impedir a destruição das florestas.

"Não estão criando a CSS para financiar a saúde? Já que todos falam do desmatamento, por que não podemos ter um imposto com alíquota de 0,01%, 0,02%, não importa. Mas que possamos, com o fundo, estimular os proprietários de terras para serem os guardiões das florestas", defendeu.

Ao contrário de Cassol, o governador Blairo Maggi (Mato Grosso) criticou a criação do tributo como alternativa para financiar o desmatamento. "Eu penso que os recursos para a floresta devem vir dos proprietários de terras, dos índios, da comunidade internacional. A Amazônia é importante para todo o mundo, não apenas para o Brasil. Que os recursos sejam divididos por todos que vivem na região", afirmou.

Desmatamento

Durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, Maggi e Cassol rebateram os índices de desmatamento divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que incluem os dois Estados entre os que mais desmatam no país. Cassol disse que os governadores não podem ser responsabilizados pela destruição das florestas, como acusa o Poder Executivo.

"Querem sempre culpar os governadores. O que houve na Amazônia não foi hoje, foi no passado. Se querem coibir o desmatamento, então que parem de falar em reforma agrária", criticou Cassol.

Maggi, por sua vez, sugeriu uma "checagem" dos índices de desmatamento divulgados pelo Inpe com o objetivo de mostrar que o Mato Grosso não tem ampliado a área de florestas devastadas no Estado. "Eu proponho uma checagem para mostrar que o Mato Grosso não tem acelerado o desmatamento, há uma diferença entre os números utilizados pelo governo." Folha Online
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Sai da moita, Crivella - TRE apura possível uso político do Exército em morro

O Tribunal Regional Eleitoral iniciou uma investigação sobre o possível uso político da presença do Exército no morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro. Militares foram mobilizados, no ano passado, para desenvolver na comunidade o projeto de urbanização Cimento Social, colocado em prática através de uma lei do senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.

Segundo o TRE-RJ, a apuração está na fase de coleta de dados. A Justiça Eleitoral vai enviar uma solicitação aos ministérios da Defesa e das Cidades em busca de informações sobre o programa, que foi criado para reformar 782 casas da Providência com apoio de técnicos e engenheiros militares.

O TRE-RJ também verifica se o senador Marcelo Crivella estaria utilizando as imagens do projeto Cimento Social em panfletos eleitorais. Na página do político na Internet, há um link com todos os detalhes sobre as obras, incluindo texto, fotos e vídeo.

A polêmica envolvendo o projeto Cimento Social começou depois que 11 integrantes do Exército teriam seqüestrado três jovens do morro da Providência, no fim de semana passado. Os rapazes foram entregues a traficantes rivais do morro da Mineira, no Catumbi, na zona norte, e acabaram mortos. Eles teriam desacatado os militares.
Redação Terra

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Fogo amigo, meu pirão primeiro: Múcio ameaça deixar ministério após crise na base por nomeação

O descumprimento de acordo político para distribuição de cargos na Petrobras provocou uma crise na base aliada e levou o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) a colocar o cargo à disposição.

Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anteontem à noite, Múcio disse que havia perdido "credibilidade para tocar aquele lugar".

Lula pediu a José Múcio que não tomasse nenhuma decisão naquele momento e que aguardasse o dia seguinte, quando iria tratar do assunto. Ontem, o presidente reverteu a decisão da estatal e determinou que "acordos já firmados" fossem cumpridos para evitar defecções na base aliada.

Amigos do ministro disseram ontem que, depois da interferência do presidente, ele se sentiu "fortalecido" na posição de negociador político do governo e não via mais motivos para deixar o cargo. Procurado, Múcio disse que continuava à frente da pasta.

A crise começou quando líderes do PSC (Partido Social Cristão) procuraram o ministro com ameaça de abandonar a base. Eles tinham sido informados de que a Petrobras não cumpriria acordo para a nomeação de uma pessoa ligada ao partido para a nova subsidiária da estatal, que cuidará de biocombustíveis.

Múcio checou a informação. Depois de confirmada, disse aos líderes do PSC, segundo relato de deputados, que aquela decisão era uma "desmoralização" e que acabava com sua "credibilidade" no ministério.

Em seguida, líderes do PMDB entraram em contato com o ministro manifestando apoio ao PSC, de quem são aliados no Congresso. Reclamaram ainda que a estatal não estava cumprindo um acerto para nomeação de peemedebistas na diretoria internacional da empresa na Argentina e Américas.

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), chegou a ir ao gabinete do ministro para manifestar solidariedade. No final da noite, Temer reuniu-se com a cúpula peemedebista e ficou decidido que o partido iria pressionar o governo a mudar a posição da Petrobras. Caso contrário, ficaria difícil votar com o Planalto.

Antes de falar com o presidente, José Múcio conversou com a colega Dilma Rousseff (Casa Civil) e com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente. Aos dois, segundo a Folha apurou, disse que havia perdido toda a credibilidade para continuar à frente do cargo, alegando que sua "palavra" havia sido desrespeitada.

Ele disse a Dilma e Carvalho que estava muito contrariado porque tinha ido ao Rio tratar diretamente do assunto com a direção da Petrobras. E que havia sido acordado que uma das quatro diretorias da nova subsidiária ficaria com um técnico indicado pelo PSC.

O ministro argumentou que o partido costuma ser fiel ao governo no Congresso e que, com sua decisão, a Petrobras estaria provocando dificuldades para futuras votações. Segundo ele, a crise detonada pela estatal levou não só o PSC mas também o PMDB a ameaçar retirar apoio a projetos de interesse do Palácio do Planalto.

Depois de informado por seus assessores da ameaça de Múcio deixar o governo, o presidente procurou seu articulador político. Ouviu dele que o caso do PSC era apenas a gota d'água e que ficava difícil tocar suas tarefas sem o cumprimento de acordos políticos.

Ontem, Lula ligou para o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e determinou que o acerto fosse cumprido. Folha de S.Paulo
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Fora Dunga! - Jogadores evitam condenar atuação e criticam torcida

As vaias, o pedido pela demissão do técnico Dunga e os aplausos ao atacante adversário Lionel Messi que partiram da arquibancada do Mineirão no empate de 0 x 0 com a Argentina incomodaram os jogadores da seleção brasileira, que reclamaram do comportamento do torcedor e pouco falaram da atuação do time no jogo.

"Faltou apoio da torcida, nós esperávamos que o torcedor ficasse do nosso lado até o final", lamentou o atacante Luis Fabiano, que ao entrar em campo no lugar de Adriano, no 2o tempo, ouviu a torcida chamar Dunga de burro, no jogo de quarta-feira em Belo Horizonte.

Antes mesmo do intervalo, após insistir numa jogada individual que não deu resultado, Robinho foi alvo dos protestos, e o time inteiro desceu para o vestiário sob vaias após o primeiro tempo sem gols no Mineirão.

A partir da metade da etapa final, quando a Argentina era melhor em campo, o torcedor não perdoou a substituição de Adriano por Luis Fabiano. A saída do camisa 9 marcou o início dos gritos de "adeus Dunga" e "burro".

"Ficamos chateados com a torcida. Jogamos contra uma seleção forte, mas que nós não perdemos há muito tempo. Não podemos exigir que o torcedor grite durante 90 minutos, mas nos momentos difíceis que estamos passando, precisamos do apoio", disse a jornalistas o zagueiro Juan.

"Mas eles preferem aplaudir o jogador deles", acrescentou.

O lateral-esquerdo Gilberto reconheceu que Messi fez uma grande partida e está entre os maiores nomes do futebol internacional na atualidade, mas afirmou que nunca viu torcedores estrangeiros fazerem o mesmo com os craques brasileiros quando a seleção joga fora de casa.

O atacante do Barcelona teve o nome gritado pelos torcedores brasileiros ao deixar o gramado nos últimos minutos para a entrada de Palacios. Pouco antes, ele obrigou o goleiro Júlio César a fazer boa defesa, que garantiu o 0 x 0.

"O Messi é um excelente jogador, é bonito vê-lo jogar, assim como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, mas a Argentina vem jogar no Brasil e os torcedores aplaudem o Messi, então é difícil", disse ele. "É uma situação muito ruim quando você vê 50 mil vaiando o treinador e aplaudindo o jogador adversário. Isso me deixa bastante triste."

Para o capitão brasileiro, Lúcio, o torcedor deveria ter reconhecido a mudança de atitude da equipe em relação à derrota por 2 x 0 para o Paraguai, domingo, em Assunção.

"Jogamos melhor do que contra o Paraguai e tivemos uma atitude melhor. Infelizmente não tivemos sorte no primeiro tempo. Temos que continuar assim, batalhando, porque nunca vai ser fácil", afirmou.

Adriano, que foi poupado pela torcida e deixou o gramado sob aplausos, lamentou que o Brasil tenha respeitado demais os rivais e pediu uma postura mais agressiva nas próximas partidas.

"Foi uma partida muito respeitada de ambas as partes. Falta tranquilidade e confiança, a gente tem que pensar que é o Brasil, não pensar no adversário, porque só assim a gente vai sair dessa situação", disse ele a repórteres. Estadão Online
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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Denise nega responsabilidade em acidente da TAM

A ex-diretora da Anac Denise Abreu divulgou nota desmentindo as informações fornecidas pelo advogado e compadre do presidente Lula Roberto Teixeira, que a acusou de ter liberado a pista do aeroporto de Congonhas de maneira precipitada, ocasionando o "fatídico" acidente com o Airbus da TAM, no dia 17 de julho de 2007. Em documento entregue hoje a senadores, Teixeira negou qualquer irregularidade no processo de venda da Varig e acusou a ex-diretora de ter contribuído "para os piores acidentes e o maior caos aéreo da história do País".

Ele diz ainda: "a senhora Denise Abreu também mentiu. Ela deve à sociedade algumas explicações, além da trágica liberação da pista de Congonhas, o que ocasionou um fatídico acidente: por que razão elegeu como prioridade levar uma empresa à falência, desguarnecendo o sistema aeronáutico e o interesse público, contribuindo para os piores acidentes e o maior caos aéreo da história do País", disse.

Segundo Denise, com as acusações, o advogado está apenas tentando "desviar o foco dos problemas que o afligem". Segundo ela, Teixeira teria usado sua amizade com o presidente da república para interferir no processo de venda da Varig.

Hoje, Teixeira veio até o Senado para prestar esclarecimentos à Comissão de Infra-Estrutura sobre as denuncias de favorecimento no processo de venda da Varig. O depoimento do advogado foi adiado, mas ele distribuiu o documento no qual ele argumenta sua defesa. São 27 páginas nas quais ele conta a cronologia dos fatos desde 2005 até a conclusão da venda da Varig.

Na última página, Teixeira diz ser "mentira" que tenha pedido apoio político na transação, dando garantias de que tudo ocorreu dentro da lei Teixeira diz que Marcos Audi mentiu ao dizer que o pagou "milhões de dólares" para aprovação da Variglog. "Esses milhões ele desviou para suas empresas e para seus amigos. Terá que devolvê-los", disse ele em nota. Redação Terra
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