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quinta-feira, 9 de abril de 2009

O que é spread?

Spread bancário no Brasil: Como entender essa patifaria, agiotagem e rapinagem no nosso bolso

Entre em um banco e deposite 100 reais em uma caderneta de poupança. O funcionário lhe dirá para retornar daqui a um mês, para receber seus polpudos dividendos, algo como R$ 100,60. Em seguida, ao mesmo funcionário, no mesmo balcão, você pede 100 reais emprestados. Receberá a resposta de que - além de todos os trâmites de cadastro, garantia, ficha pregressa etc. -, deverá pagar, daqui a um mês, algo como 109 reais.

Essa ''pequena'' diferença - algo como 15 vezes mais - é o que os bancos e os economistas, ministros, presidentes de bancos centrais, e todos os que funcionam como seus ventríloquos, chamam de spread. Em inglês, para melhor disfarçar, como convêm ao economês.

Mas o que é o spread? Os dicionários falam sempre de algo como ''extensão'', ''propagação'', ''expansão'', no máximo ''pasta para passar no pão''. Nada que possa esclarecer essa estranha mágica de pagar 0,6% e cobrar 9% ao mês e que faz a felicidade dos bancos e propicia os recordes de lucratividade do sistema financeiro à custa de quem não vive da especulação.

Os dicionários de economia esclarecem que spread é a diferença entre o quanto os bancos pagam e o quanto recebem; em outras palavras, o lucro dos bancos. Nenhum investimento permite ganhar tanto, em prazo tão curto, com tanta liquidez e pouco ou nada de imposto - recordemos que investimentos estrangeiros na Bovespa não pagam imposto, ao contrário da cesta básica, de livros etc. Consciência.net

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Opinião do Estadão: O BC freia especulação

Com mais de US$ 200 bilhões de reservas, o Banco Central (BC) tem muita munição para enfrentar uma onda especulativa no mercado de câmbio. Seu poder de fogo já foi demonstrado nos últimos dias quando voltou a oferecer dólares no mercado a vista pela primeira vez depois de cinco anos. As pressões no mercado cambial começaram quando se agravou a crise financeira nos Estados Unidos e na Europa. Aplicadores deslocaram dinheiro de mercados emergentes, como o Brasil, para cobrir perdas noutros países. Ficaram mais intensas quando algumas grandes empresas brasileiras tiveram de absorver prejuízos de apostas erradas em derivativos. A esses fatores acrescentou-se, enfim, um evidente movimento de especulação, com a moeda americana valorizando-se mesmo em dias de fluxo cambial positivo. Ontem, o BC voltou a intervir no mercado, embora o dólar, de manhã, recuasse tanto na BM&F quanto nas operações de balcão.

O agravamento da crise internacional mostra o acerto da acumulação de reservas. Essa estratégia foi criticada por analistas de várias tendências por causa de seu custo fiscal. Para comprar moeda estrangeira é preciso emitir moeda nacional, com efeito inflacionário, ou vender títulos públicos, endividando o Tesouro. O problema é saber se o preço é compensador. Neste caso, já não pode haver dúvida. O custo para o Brasil seria muito maior se o País entrasse nesta crise com um volume de reservas mais modesto.

Pressões cambiais em épocas de crise internacional são inevitáveis, e tanto mais fortes quanto mais vulnerável pareça o país. Um alto volume de reservas é conveniente não só para cobrir problemas de financiamento externo, previsíveis em tempos de turbulência internacional, mas também para enfrentar ondas de especulação.
Um dólar mais caro pode ser conveniente para o comércio exterior brasileiro, por baratear as exportações e encarecer as importações, mas é preciso evitar variações cambiais abruptas, tanto para cima quanto para baixo. Um mínimo de previsibilidade é necessário para o planejamento empresarial mesmo de curto prazo. As intervenções do BC no mercado cambial são, na maior parte das vezes, tentativas de manter uma certa ordem nos negócios e limitar o impacto das oscilações.

A depreciação do real, benéfica para as contas externas, poderá ser, no entanto, um fator de pressão inflacionária. Mas essa pressão, como observou o economista Charles Collyns, do Fundo Monetário Internacional (FMI), poderá ser compensada, com alguma folga, pela desaceleração econômica prevista para 2009. Triste consolo. Com o crescimento econômico diminuindo de 5,2% em 2008 para 3,5% no próximo ano, haverá uma folga maior de capacidade produtiva e isso contribuirá para a estabilização dos preços. É um argumento compatível com os princípios de política seguidos pelo BC. Neste momento é desejável, no entanto, impor um freio aos especuladores. E os dois dias de intervenção do BC mostram que isso vai custar muito menos do que se temia.
Quanto a problemas de financiamento externo, já se manifestaram, provocados pelo encurtamento do crédito internacional e pelo aumento da aversão ao risco. Por enquanto, não são tão graves quanto foram noutras ocasiões, mas já afetam as atividades econômicas. São especialmente graves, neste momento, a escassez de crédito para os exportadores e o atraso dos empréstimos para o plantio. Essas dificuldades podem refletir-se nas contas externas, somando-se a uma provável diminuição do investimento estrangeiro direto em 2009. Se a poupança recebida de fora for insuficiente para equilibrar o balanço de pagamentos, haverá reservas mais que suficientes para cobrir o déficit em conta corrente.

O BC está fazendo o que é possível para preparar o Brasil para enfrentar um período de crise que ninguém sabe quanto vai durar. Isso vai depender da ação dos governos do mundo rico e de sua capacidade de cooperação. O governo americano já dispõe de um plano de ação e a ação ousada do governo britânico, estatizando parcialmente alguns grandes bancos e comandando a liquidação de outros, é um sinal animador.


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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Desgoverno Lula injeta R$ 87,2 bilhões no mercado, mas BC nega que seja socorro a bancos com problemas

Jorge Serrão

Dois países sairão como grandes credores líquidos quando baixar a poeira da crise especulativa transnacional. Os Estados Unidos, simplesmente porque são os emissores do dólar, a principal moeda de trocas internacionais. E o Brasil, simplesmente porque é o produtor mundial de alimentos e das principais commodities estratégicas. O problema é que não tiramos proveito da nossa vantagem estratégica.

A diferença entre EUA e Brasil – e que nos desfavorece – é a mentalidade produtiva. Aqui no País cuja economia é presidida por Henrique Meirelles vale a cultura especulativa. O modelo econômico brasileiro, um monetarismo ortodoxo e intervencionista, não valoriza a produção, a geração ou distribuição de renda. Desde a década de 60, de diferentes maneiras, a economia daqui funciona sob a lógica do overnight. Ganha quem aplica (inclusive e principalmente golpes). E perde quem trabalha e produz.

O Brasil é governado pelo banqueirismo. No Capitalismo de Estado Tupiniquim, que mais parece uma União Soviética pelo autoritarismo econômico, ganha quem especula – não quem produz. Especuladores conseguem até isenção de impostos. Não é à toa que aqui se praticam as mais altas taxas de juros do mundo, prejudicando o sistema produtivo, em nome de uma pretensa estabilidade econômica.

Agora, na crise global, o Banco Central dá mais um socorro a quem produz? Não. O BC socorre os bancos que tiveram grandes perdas porque especularam além do permitido. Nos últimos 30 dias, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do Banco Central fez quatro operações de compra de carteiras de bancos médios, principalmente de crédito consignado e financiamento de veículos. O negócio envolveu um valor total de R$ 700 milhões.

O curioso é que o diretor-executivo do FGC, Antônio Carlos Bueno de Camargo Silva, garantiu que não houve nenhuma "operação de socorro ou salvadora" para os bancos. O BC jura que foram operações normais de mercado. A retórica é repetida pelo presidente Henrique Meirelles (banqueiro “aposentado” do Bank Boston que comanda o BC de acordo com interesses da Oligarquia Financeira Trasnacional). Meirelles alega que os recursos liberados para o mercado não se destinam a salvar bancos, mas sim para garantir liquidez.

O Banco Central decidiu alterar ontem, pela terceira vez, as regras do compulsório dos bancos. Trata-se do dinheiro que as instituições são obrigadas a deixar depositado diariamente no BC. A desculpa é que seria para minimizar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil. A autoridade monetária, sempre generosa com os bancos, libera R$ 59,9 bilhões ao mercado.

Na verdade, o desgoverno dos banqueiros - que nega a existência de um pacote para a crise - já liberou R$ 27,35 bilhões em ampliação de endividamento do BNDES. Também soltou recursos para a agricultura. E permitiu a utilização de valores do FGTS e do FAT. O volume total de injeção ao mercado chega a R$ 87,2 bilhões.

Sobrará mais dinheiro para especulação, e para sustentar a farra do crédito, que é uma lógica especulativa para manter o consumo aquecido. Alerta Total


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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Opinião do Estadão: Ação contra a crise

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A crise é grave e a sociedade não pode ter dúvida quanto a isso, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num encontro com parlamentares. Ele havia autorizado o Banco Central (BC), por meio de medida provisória, a comprar carteiras de crédito de bancos pequenos e, naquele momento, pedia apoio para a aprovação da iniciativa pelo Congresso. Num ambiente de pânico, pelo menos essa boa notícia: o governo brasileiro decidiu reconhecer a seriedade da crise, sem meias palavras, e a urgência de ações para limitar seu impacto na economia brasileira. É, aliás, notável, a velocidade da mudança de tom do discurso oficial - do otimismo irresponsável para o realismo assustado. O Banco Central já vinha oferecendo socorro aos bancos e procurando aliviar os efeitos da escassez internacional de crédito. Com mais um instrumento, poderá ampliar o alcance de sua intervenção, se isso for necessário.

A nova iniciativa do governo brasileiro contrasta com a timidez demonstrada pelas autoridades européias, mais empenhadas em cuidar dos problemas caso a caso do que em adotar providências amplas para reduzir a insegurança.

A medida provisória também autoriza o Banco Central a conceder empréstimos em moeda estrangeira e abre um novo canal de financiamento às empresas de arrendamento mercantil (leasing), permitindo-lhes a emissão de letras. Até agora, essas companhias captavam recursos por meio de um processo mais complicado, lançando debêntures.
As novas medidas, portanto, têm duplo caráter. Algumas foram concebidas para facilitar o ajuste por meio de transações de mercado. É o caso da nova facilidade concedida às empresas de leasing. É o caso, também, do estímulo concedido aos bancos, na semana passada, para a compra de carteiras de outras instituições (como prêmio, poderia haver uma redução de até 40% em seus depósitos compulsórios). A autorização ao Banco Central para realizar operações desse tipo amplia o arsenal da política anticrise e a torna mais audaciosa.

Mas a crise não se esgota no mercado financeiro. Quebras de bancos e pânico nas bolsas fornecem manchetes e grandes histórias aos meios de comunicação. Como ignorar, por exemplo, a turbulência na Bovespa, na segunda-feira, quando o pregão foi suspenso duas vezes por causa da queda extraordinária das cotações? Os piores efeitos ocorrem, no entanto, na economia real. Crédito curto e fuga de investidores podem afetar a produção de alimentos, a venda de bens duráveis, o financiamento de exportações e o nível de emprego.

Esses efeitos podem atingir a economia brasileira por vários canais, como a Bolsa de Valores, o sistema bancário, o mercado de produtos básicos e o comércio global. O Brasil pode estar mais preparado que noutros tempos para enfrentar um choque externo, mas não está imune a seus efeitos que, aliás, já estão sendo sentidos.

Preços de minérios, produtos agrícolas e outras commodities podem ser afetados tanto pela insegurança dos investidores quanto pela redução do comércio, resultante do esfriamento da economia mundial. O efeito da insegurança já é sensível. As projeções mais pessimistas apontam recessão nos Estados Unidos e noutras grandes economias do Primeiro Mundo, mas nem os mais otimistas descartam a hipótese de uma severa redução do crescimento nos países mais avançados.

O governo brasileiro já detectou sinais de perigo, como a escassez de crédito para o plantio da safra de verão de cereais, oleaginosas e fibras, como arroz, feijão, soja, milho e algodão. Já identificou, também, a redução do financiamento para exportação e o encurtamento do crédito ao consumo.

Pelas informações disponíveis até ontem, no entanto, o governo continuava estudando várias possíveis medidas para garantir o financiamento aos agricultores. É conveniente abreviar os estudos, porque o tempo adequado ao plantio é limitado. Da mesma forma, é urgente ampliar o apoio financeiro aos exportadores, porque o comércio é um dos canais de transmissão da crise. Se as exportações continuarem crescendo muito mais lentamente que as importações, como ocorre há mais de um ano, o País se tornará muito mais vulnerável. Reservas elevadas podem ser uma proteção, mas é tolice queimá-las quando isso é evitável.


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Bancos e financeiras restringem crédito, e BC só lança pacotinho se Senado dos EUA não aprovar socorro

Jorge Serrão

As financeiras no Brasil começaram a restringir a liberação de crédito direto aos clientes. A medida atinge os empréstimos pessoais, parcelamento de carros e crediários usados na compra de eletrodomésticos. Ontem, o desgoverno pensava se lançava ou não, na véspera da eleição, um pacotinho para restringir o crédito e facilitar a vida dos bancos, como os leilões de câmbio, a redução do compulsório depositado diariamente e a oferta de linhas de redesconto.

O Banco Central não precisou agir tão radicalmente, porque os bancos agiram por conta própria. As instituições diminuíram os prazos para pagamento das parcelas. Para aquisição de veículos, o total de parcelas caiu de 72 para 60 meses. No caso dos eletrodomésticos e crédito pessoal, esse número caiu de 36 para 24 meses. Os juros dessas linhas subiram, em média, para 7,39%. Antes, o percentual era de 7,35%.

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) admite que as financeiras encontram dificuldades de captar recursos no exterior. Por isso, a orientação é segurar a onda da farra do crédito. O Panamericano suspendeu a liberação de crédito para novos clientes. Mesma medida adotada pelo banco BMG. A restrição é uma tendência entre as financeiras de menor porte.

A greve dos bancários por tempo indeterminado - que afeta hoje o Rio e outras regiões do País, como Brasília e São Luís – é bastante conveniente à equipe econômica. Na tese do Banco Central, quanto menor o movimento no sistema financeiro, melhor. Os bancários reivindicam reajuste de 13,23% - inflação acumulada em 12 meses, mais aumento real de 5%. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu 7,5%.

O dia é de expectativa. A tendência é de bolsas de valores com índices estáveis, pelo menos hoje. O amanhã depende do Senado norte-americano que votará, no final da tarde desta quarta-feira, o plano de resgate do setor financeiro proposto pelo governo do presidente George W.Bush.

O pacote de medidas incluirá uma cláusula sobre reduções tributárias, rejeitada segunda-feira pela Câmara dos Representantes do Congresso. Também incluiria um aumento no valor dos depósitos bancários segurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corp, um órgão governamental) para US$ 250 mil, contra US$ 100 mil previstos anteriormente.

A votação acontecerá antes de ser submetida novamente à Câmara, que a rejeitou na segunda-feira por 228 contra 205 votos. A rejeição despencou as bolsas de valores. O índice Dow Jones caiu 770 pontos - a maior queda em número de pontos em toda a sua história.
A decisão de votar depressa foi tomada por Harry Reid, líder da maioria democrata, e Mitch McConell, líder da minoria republicana. Os candidatos à presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain, estarão em Wasington para acompanhar a sessão extraordinária convocada pelo Senado para votar as alterações no pacote do governo. Alerta Total


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