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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cinco partidos se unem ao desgoverno para aprovar o voto em lista fechada para 2010

Voto obrigatório: Nenhum sistema de eleição será justo enquanto tivermos a obrigação de votar

Jorge Serrão

Interessada em manter os privilégios, o esquema de venda de legendas e a conseqüente corrupção, usando os partidos políticos como balcões de negociatas, a oligarquia política brasileira arma seu golpe institucional – com a colaboração do chefão Lula da Silva. Até outubro, PT, PMDB, DEM, PPS e PC do B querem aprovar o voto em lista fechada (já para a eleição de 2010).

Pela proposta, o eleitor passa a votar numa sigla e não mais no candidato. Trata-se de um golpe dentro do já falido modelo representativo tupiniquim. Os deputados vão assumir a vaga conforme uma hierarquia previamente elaborada pelo partido ou pela coligação. A mudança não requer mudança constitucional. Dependerá apenas de maioria simples do Congresso para aprovação.

Os oportunistas também pretendem aprovar o financiamento público de campanha. Seria criado um fundo com recursos equivalentes a R$ 7 por eleitor para cobrir as despesas do primeiro turno, e R$ 2, por eleitor, para o segundo turno. Tomando por base o eleitorado de dezembro de 2008, os valores chegariam a R$ 913.197.656 (no primeiro turno) e R$ 260,9 milhões (no segundo). Alerta Total

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Políticos temem que vaze lista com mais de mil nomes que receberam dólar e reais doados pela Camargo Corrêa

Os políticos brasileiros perderam totalmente a noção de quem representam no Congresso Nacional

Jorge Serrão

Uma verdadeira operação abafa já está montada para que não vaze na imprensa uma relação de políticos de todos os partidos que recebiam contribuições, em Real e em Dólar, do grupo Camargo Corrêa. As 54 folhas de papel ofício, apreendidas pela Operação Castelo de Areia na casa do diretor Pietro Bianchi, ainda não foram anexados ao processo do caso pela procuradora federal Karen Kahn.

A torcida e a pressão para que isto não aconteça são enormes. A listinha de contribuições financeiras, feita pela própria empreiteira, envolveria mais de mil políticos de todas as agremiações e ideologias, da base aliada à oposição. O documento mais comprometedor da Operação Castelo de Areia tem 20 nomes de políticos subvencionados por página. Se vazar, transformará outros escândalos em pequenos delitos. Alerta Total 

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terça-feira, 10 de março de 2009

CNJ resolve acompanhar ações sobre “reforma agrária” e Justiça bloqueia bens de entidade que é fachada do MST

bl_stedile_mst Jorge Serrão

O Movimento Social Terrorista – que voltou a radicalizar ontem à margem da lei e da ordem – recebeu dois recados da Justiça. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, anunciou que o Conselho Nacional de Justiça vai criar um fórum para acompanhar as ações sobre reforma agrária. O juiz da 14ª Vara Cível Federal em São Paulo, José Carlos Francisco, determinou o bloqueio dos bens da Associação Nacional de Cooperação Agrícola.

Suspeita de desviar verba federal para alfabetização, a Anca funciona como um braço formal do MST, que nem CNPJ tem, para captar recursos para o “movimento”. A Anca foi denunciada pelo Ministério Público Federal por Improbidade administrativa. A Justiça investiga o desvio de uma verba de R$ 3,8 milhões repassada em 2004 pelo Programa Brasil Alfabetizado, do governo federal, para a entidade. O dinheiro público para educação foi parar nas mãos de secretarias regionais do MST.

A ação que atinge em cheio o MST foi protocolada pelo MPF na quarta-feira passada, e o juiz deu dois dias depois a liminar, fato tornado público ontem. Na decisão, o juiz não descarta responsabilizar o MST e a União neste caso por suposta falta de fiscalização. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União encontrou uma série de irregularidades na péssima prestação de contas da Anca. O TCU constatou falta de comprovação do dinheiro para cursos, inexistência de notas fiscais e de fiscalização do Ministério da Educação sobre o uso do dinheiro público. Alerta Total


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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Lula recebe má notícia de que Alencar não pode mais assumir a vice-presidência, e fica mais refém do PMDB

Vice-presidente José Alencar, que luta há anos contra o câncer, pode deixar o governo Lula

Jorge Serrão

O chefão Lula da Silva foi comunicado ontem à noite, reservada e oficialmente, que seu amigo José Alencar não poderá mais assumir a função de vice-Presidente da República. Aos 77 anos, Alencar luta contra um câncer, e respira com a ajuda de aparelhos. Médicos já avisaram que será muito lenta e difícil sua recuperação, depois da recente cirurgia que demorou 17 horas, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Além de péssima do ponto de vista sentimental, a notícia cria um mega-problema político. Lula ficará ainda mais refém do PMDB, que ocupará as presidências da Câmara e do Senado, conforme tudo indica. Os prováveis eleitos, o deputado Michel Temer e o senador José Sarney se tornam os substitutos eventuais de Lula. Sem o escudeiro Alencar, ficam prejudicadas as viagens de Lula ao exterior.

O Sírio Libanês descreveu a cirurgia de Alencar. "Foi feita a retirada de uma porção do intestino delgado, uma parte do intestino grosso e de 2/3 do ureter. O ureter foi substituído por uma parte do intestino delgado, com a mesma função de ligar o rim à bexiga". Estas porções (tiradas por ressecção) estavam comprometidas pelo tumor.

Os médicos informaram que retiraram todos os “tumores visíveis”. E acrescentaram: "A complexidade da cirurgia deveu-se, em parte, ao fato do vice-presidente possuir apenas o rim esquerdo". Além disso, os médicos aplicaram uma "quimioterapia hipertérmica". Após a cirurgia de retirada dos órgãos acometidos, um cateter foi introduzido na cavidade peritonial, por onde foi injetada uma solução quimioterápica.

O boletim médico de ontem à tarde informava que Alencar se recuperava bem da cirurgia, respirando por aparelhos e mantendo todos os sinais vitais normais, inclusive com bom funcionamento renal. "Seu estado é estável e os médicos consideram que o paciente está bem, levando-se em conta o tipo de intervenção". Em setembro de 2008, Alencar foi submetido a uma cirurgia para tratar um tumor no abdome. Alerta Total


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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Medo de gravação comprometedora garante a promoção de Lacerda do inferno da Abin para o paraíso lusitano

Em depoimento a CPI dos grampos em Brasília, Lacerda negou qualquer tipo de escuta clandestina

Jorge Serrão

Quem sabe (demais) faz a hora de uma nova promoção. Não espera acontecer a simples exoneração. Os dois versinhos meio lusitanos descrevem bem o que aconteceu ontem com o delegado federal Paulo Fernando da Costa Lacerda. Após semanas de complicadas negociações políticas sobre seu destino, o policial (ligadíssimo ao chefão Lula da Silva) comprovou o quanto vale a pena ter informação privilegiada sobre os poderosos de plantão.

Um dos homens mais informados sobre os intestinos do governo da República Sindicalista, Paulo Lacerda foi afastado, definitivamente, do comando da Agência Brasileira de Inteligência. No entanto, acabou “caindo para cima” com a nomeação para o cargo de adido policial na embaixada do Brasil em Portugal. Sai do inferno da Abin – onde sete diferentes grupos brigam por poder – para o paraíso da vidinha além-mar, ganhando um salário que pode chegar a R$ 70 mil, sem contar as mordomias diplomáticas de praxe. Alerta Total

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Risco de demissões no ABCD e ação contra irregularidades na campanha de Luiz Marinho tiram o humor de Lula

Jorge Serrão

Além da retraída da indústria, com risco imediato de desemprego no ABCD paulista, o chefão Lula da Silva tem, desde ontem, uma preocupação a mais com seu futuro político, no curto prazo. Surge na Justiça Eleitoral um movimento para questionar a eleição do prefeito de São Bernardo do Campo. Há indícios de irregularidades na prestação de contas de Luiz Marinho (PT), cuja campanha milionária torrou exatos R$ 11.184.752,25.

O Cartório da 174ª Zona Eleitoral suspeita de irregularidades em planilhas de lançamentos de doações, ausência de recibos e discrepância nos valores. A Justiça Eleitoral em São Bernardo do Campo já enviou 12 pedidos de informações a Luiz Marinho. Os juízes eleitorais da cidade onde Lula tem residência não dão detalhes sobre os pedidos. A pressão política é grande sobre os magistrados. Tudo indica que a investigação dará em nada.

São Bernardo do Campo é prioridade zero para Lula. Tanto que mantém lá uma de suas assessoras diretas na Presidência. Miriam Belchior, que é uma das tocadoras do PAC como sub-chefe da Casa Civil, tirou férias no Planalto para fazer a limpeza da prefeitura ocupada por oposicionistas do presidente. Miriam é a primeira mulher do prefeito barbaramente torturado e assassinado de Santo André, Celso Daniel.

A ordem de cima é deixar tudo arrumadinho em São Bernardo do Campo, que vai abrigar o chefão Lula e sua base política, quando ele deixar o poder, a partir de 2011. Lula, que vai morar em sua mansão novinha em folha no nobre Swiss Park, monta sua base operacional para retornar ao poder em 2014 – como é seu desejo.

O dinheiro que sumiu

Luiz Marinho esclareceu ontem o problema verificado em uma doação de R$ 800 mil feita à campanha pela Petroquímica União.

"Houve um apontamento de divergência entre o valor total de R$ 800 mil arrecadados em um jantar e os R$ 760 mil declarados como arrecadados no evento. Um dos recibos referentes a este jantar, no valor de R$ 20 mil, foi extraviado e faz parte de Boletim de Ocorrência 1267/2008”.

Marinho esclarece que o recibo, no mesmo valor, foi lançado equivocadamente nas receitas gerais (doações recebidas de pessoas físicas e jurídicas) e será alocado corretamente para o evento". Alerta Total


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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pânico no mercado: Delegado Saadi, que conserta a Satyagraha, quer ouvir 60 investidores de Dantas

Delegado Ricardo Saad, da Polícia Federal, que comanda o inquérito da Operação Satiagraha em substituição a Protógenes Queiroz

Jorge Serrão

Os membros dos três poderes, que apreciam investimentos financeiros no exterior, entraram em pânico. O delegado Ricardo Saadi (que comanda o novo inquérito da Operação Satyagraha) já avisou que vai ouvir todos que mandaram dinheiro para o exterior pelo Opportunity. O objetivo da Polícia Federal é ouvir pessoas físicas e jurídicas para que justifiquem seus “investimentos” com Daniel Valente Dantas.

Será aberta a caixa preta dos fundos do Opportunity? Se isto ocorrer, não se sabe qual será a conseqüência política. Muito menos se prevê a repercussão econômica sobre os fundos, caso o sigilo dos investidores seja realmente quebrado. Alguns aplicadores com Dantas já estudam medidas judiciais para tentar “trancar” o inquérito, caso o Ricardo Saadi cumpra mesmo o que prometeu. O delegado já teria relacionado 60 pessoas para dar explicações. Gente que é peso pesado no poder da política e da economia.

O Caso Satyagraha continua alimentando um conflito entre o ex-condutor do inquérito, Protógenes Queiroz, e o presidente do Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia em que o delegado Protógenes Queiroz foi convidado para dar uma palestra na Assembléia Legislativa de São Paulo, Gilmar Mendes defendeu uma apartidarização dos servidores públicos. O supremo magistrado advertiu: "A partidarização, em qualquer segmento do serviço público, em geral, é extremamente perigosa".

Na semana passada, embarcando nessa mesma tese de Gilmar Mendes, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, comentou que o afastamento de Protógenes Queiroz da Diretoria de Inteligência da PF era conseqüência do perfil quase partidário adotado pelo delegado desde que deixou o comando da Operação Satyagraha. Alerta Total


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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Número de grampos telefônicos no Brasil é infinitamente maior e sem controle que o anunciado pelo CNJ

Jorge Serrão

O número de “grampos” telefônicos autorizados judicialmente é muito maior que o anunciado ontem pelo Conselho Nacional de Justiça. Não foram contabilizadas as autorizações para escutas telefonias concedidas pelas Justiças estaduais de São Paulo, Alagoas, Paraíba e Mato Grosso. A Grampolândia é aqui. O otimismo da cúpula dos magistrados conflita com a realidade.

Oficialmente, segundo o CNJ, estariam em vigor hoje 11.846 interceptações telefônicas legais. O problema é que o levantamento da Justiça não leva em conta outros “grampos” popularmente conhecidos como “gatos”. Empresários, jornalistas, políticos, advogados e adversários ideológicos do poder de plantão são vítimas corriqueiras de tal gatunagem telefônica. A maioria sem saber.

O número oficial de grampos foi calculado nos cinco tribunais regionais federais e nos 27 tribunais de Justiça estaduais e do Distrito Federal (exceto São Paulo, Alagoas, Paraíba e Mato Grosso). Na prática, é duvidosa e romântica a tese do corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, de que o número é normal e derrubaria a versão de que haveria uma "farra" dos grampos no País. A “farra” existe, sendo praticada por policiais, empresas de telefonia e firmas privadas de segurança ou inteligência.

A própria Operação Satiagraha foi uma prova de que a “farra” existe. A Justiça insiste em ignorar que os grampos legais se multiplicam em outros ilegais, graças ao abuso de autoridade praticado ocultamente durante as investigações policiais. Eis por que a CPI dos Grampos calcula que acontecem 375 mil interceptações telefônicas no Brasil. Os números foram calculados a partir de informações fornecidas pelas companhias telefônicas que, efetivamente, são as executoras dos “grampos”. Alerta Total


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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Lula em polvorosa: Marcos Valério negocia delação premiada para falar tudo que sabe sobre o Mensalão


Jorge Serrão

Investindo em sua sabedoria (sabe muito) para se livrar da cadeia mais depressa, o homem acusado de ser o grande operador financeiro do Mensalão ameaça soltar o verbo. A defesa de Marcos Valério Fernandes de Souza negocia um pedido de delação premiada em troca de revelações sobre o escândalo que só não derrubou o chefão Lula da Silva pelo “milagre” de o Brasil ser o país da impunidade.

As possíveis revelações de Marcos Valério são uma terceira ameaça para tirar o sono do chefão Lula da Silva e sua cúpula de poder, além do risco de revelação de novas informações sobre o assassinato do prefeito petista Celso Daniel e a divulgação, súbita, de um dossiê bombástico produzido por aliados do banqueiro Daniel Valente Dantas.

O caso do Mensalão vai dar em nada. O tempo joga a favor da impunidade dos mensaleiros. Se houver alguma condenação, só acontecerá daqui a muitos anos. A previsão do ministro Joaquim Barbosa de julgar os 39 acusados no distante ano de 2011 deve sofrer um novo adiamento. O tempo é o senhor da impunidade.

Em dezembro começam a ser ouvidas 641 testemunhas de defesa dos réus. Tudo indica que o Supremo Tribunal Federal levará, pelo menos, seis anos para terminar tal missão jurídica quase impossível. Desde julho, já foram ouvidas, em ritmo muito lento, 41 testemunhas de acusação. Alerta Total


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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mendes reitera que terrorismo “também” é imprescritível e STF pode flexibilizar interpretação sobre anistia

Jorge Serrão

O circo está armado para que o Supremo Tribunal Federal flexibilize a interpretação sobre os efeitos da Lei de Anistia de 1979 – conforme desejam os revanchistas. Militares enxergam que a senha para isso foi dada com a declaração reiterada do presidente do STF, Gilmar Mendes, advertindo que terrorismo “também” é imprescritível (da mesma forma que o crime de tortura). O “também” é a chave para uma flexibilização no julgamento do STF sobre a anistia.

Ontem, a exemplo do que havia dito na última segunda-feira, no Instituto dos Advogados de São Paulo, Gilmar Mendes reiterou que “terrorismo também é imprescritível”. Gilmar Mandes fez referência às declarações da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, segundo as quais o crime de tortura não prescreve. Uma vez mais, Mendes repudiou o que chamou de "unilateralidade", "ideologização" e "politização" no debate sobre direitos humanos.

Mendes destacou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está realizando um amplo levantamento sobre a situação nos presídios. "A tortura é repugnante se praticada contra ativista político ou o preso comum". Gilmar Mendes criticou com veemência a "instrumentalização dos direitos humanos para fins partidários e ideológicos".

A polêmica sobre tortura e terrorismo se acirrou depois que a Advocacia Geral da União (AGU) se manifestou a favor do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), unidade militar apontada como reduto de arbítrios na Era pós-64. Alerta Total


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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Guerra nos poderes: Lula e Gilmar Mendes são criticados por interferência do Executivo e Judiciário no Legislativo

Jorge Serrão

O chefão Lula da Silva experimentou ontem um dia de desgaste político. O causador dos constrangimentos para Lula foi o presidente do Senado. Garibaldi Alves (PMDB-RN) aproveitou a presença do presidente, no plenário da Câmara, para a festa de 20 anos de promulgação da Constituição de 1988, e bateu em um dos calcanhares de Aquiles de Lula. Garibaldi criticou o excesso de medidas provisórias, editadas pelo Executivo.

O senador também pegou pesado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que estava ao lado de Lula. Vendo que Gilmar não dava bola para o que falava, Garibaldi mandou o tiro na direção dele: “Vou terminar o discurso. Já vejo que o presidente Gilmar está aqui lendo ... Faz tempo que o Poder Judiciário acha que é o Legislativo”. Na verdade, Garibaldi criticou as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre questões legislativas.

O presidente do Senado foi direto no ataque a Lula em seu discurso: “Aqui se passa um mês sem votar, porque tem medida provisória trancando a pauta da Câmara e do Senado. O senhor é culpado disso? Não. É o uso do cachimbo que faz a boca torta”. Pouco depois o próprio Garibaldi tentou consertar, pedindo desculpas ao presidente Lula: “O que o presidente Lula vai pensar de um anfitrião que o recebe para um a festa e, de repente, a festa se transforma numa cobrança. Também peço desculpas ao presidente do Supremo”.

O estrago já estava feito. Mais cedo, o presidente da Câmara, Arlindo Chinagalia (PT-SP), já tinha criticado as MPs, reclamando que é uma forma eficaz de o Executivo controlar o Congresso. Chinaglia advertiu que é preciso ter cuidado com propostas de nova constituinte, mas concordou que alguns assuntos precisam ser revistos, como a tramitação das medidas provisórias, que, pelas regras atuais, trancam as pautas da Câmara e do Senado se não forem votadas dentro de um prazo de 60 dias. “O trancamento de pauta é a maneira mais eficaz de o Executivo controlar o Congresso Nacional”. Alerta Total

Comentário: Ontem o presidente do STF, Gilmar Mendes, manifestando-se favoravelmente à ADI 4049 ajuizada pelo PDSB, no seu voto, ponderou sobre a questão do trancamento de pauta do Congresso Nacional em função na enxurrada de medidas provisórias oriundas do poder Executivo. Idêntica manifestação foi proferida pelo decano do STF, Celso de Mello, que considerou como um verdadeiro engessamento do legislativo a questão das MPs. Assim, não tem como o Judiciário não fazer o papel de legislador quando provocado, como o foi no caso do PSDB, que ajuizou duas ADIs (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que mereceram o deferimento por parte do Supremo Tribunal Federal. Medida provisória é uma coisa, governar por “decreto” e contando com uma maioria no Congresso é outra. Rêlho neles!


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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Chefão Lula exige o fim das discussões públicas sobre a anistia, mas apóia os revanchistas no desgoverno

Jorge Serrão

O chefão Lula ordenou que seus ministros parem de alimentar o debate sobre a aplicação da Lei da Anistia pela imprensa. Lula quer evitar que seja aberta uma nova frente de criticas ao Brasil no exterior. Lula avisou que reunirá o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, e o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli, para que cheguem a um acordo sobre o assunto.

Os ministros da AGU e da Defesa, Nelson Jobim, defendem a tese da anistia ampla, geral e irrestrita – garantindo que não cabem novas discussões. Mas Paulo Vannucchi e o ministro da Justiça, Tarso Genro, na linha revanchista, defendem que os crimes de tortura não foram beneficiados pela lei. A ministra-chefe da Casa Civil, a guerrilheira aposentada Dilma Rousseff, se juntou aos dois ao pregar que "os crimes de tortura são imprescritíveis".

Na semana passada houve uma audiência pública em que o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão Pires, relatou as ações do Brasil na área de direitos humanos e citou três das ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal, cujo julgamento ditará a interpretação definitiva sobre a abrangência da lei de Anistia. Como a posição definitiva do governo só poderá ser fixada após a decisão do STF, Lula quer que os ministros parem de alimentar a discussão em público, a fim de não lhe gerar desgaste desnecessário, sobretudo com o meio militar. Alerta Total


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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Desgoverno agora vai socorrer construtoras, mas segue com a marola de que está tudo bem com o Brasil

Jorge Serrão

Aos empreiteiros e banqueiros tudo. Na lógica de sempre, sob a desculpa da crise internacional, o desgoverno agora vai mexer nas regras de uso da poupança a fim de liberar recursos para financiar as necessidades de capital de giro das construtoras. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) ou uma medida provisória de sua majestade Lula permitirá à Caixa Econômica Federal destinar R$ 2 bilhões ao setor. A taxa de juros ficará em torno de 9% ao ano, mais a TR.

Atualmente, os bancos são obrigados a aplicar 65% do montante captado com a caderneta para setor, mas só o fazem com financiamento direto ao mutuário ou para as empresas durante a fase de construção de moradias. Em princípio, o desgoverno alega que a medida valerá apenas para a Caixa Econômica Federal. Mas não há quem descarte que os bancos, para compensar ausência de ganhos em outros negócios, entrem no lucrativo esquema do Sistema Financeiro da Habitação.

Na gestão da crise, a equipe de Lula continua marolando. O presidente Henrique Meirelles, do Banco Central, informou ontem, no Plenário da Câmara, que, ao todo, o BC já movimentou US$ 22,9 bilhões com as diversas modalidades de venda de câmbio durante a crise. Mas Meirelles , alega que o valor ''não é quase nada" perto da injeção efetiva US$ 595 bilhões dos sistemas financeiros americano e europeu.

Segundo Meirelles, até a última segunda-feira, o BC vendeu US$ 12,9 bilhões em swaps, US$ 3,7 bilhões em linhas, US$ 1,5 bilhões em não-rolagem de swap reverso, US$ 1,6 bilhões no primeiro leilão para linhas de comércio exterior, realizado ontem, e US$ 3,2 bilhões no mercado à vista.

O presidente do BC voltou a afirmar que a crise mundial é severa, mas que o Brasil tem condições de enfrentá-la bem. Segundo ele, o Brasil é um dos países com melhor desempenho econômico neste período de crise internacional de crédito. Durante sua apresentação no plenário da Câmara, Meirelles afirmou que o principal diferencial desta crise em relação às anteriores é o fato de outras instituições financeiras, além das bancárias, estarem sofrendo impactos intensos da falta de crédito.

Reunismo

Lula da Silva convocou, para as 14h da próxima segunda-feira, uma reunião extraordinária do Mercosul (ou será da turma do Foro de São Paulo?) para discutir a crise financeira internacional.

O encontro marcado por Lula, que está exercendo a presidência do bloco comercial, está marcado para o Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O objetivo é avaliar os impactos da crise financeira mundial em cada país do bloco e possíveis mecanismos que permitam atenuar os efeitos da crise nas nações do Mercosul e dos impactos provocados pela quebra de grandes bancos nos Estados Unidos. Alerta Total


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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Advogados escrevem que Marcos Valério pode ter a morte encomendada na cadeia por queima de arquivo

Jorge Serrão
A defesa do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza teme que ele seja morto, caso acabe transferido para uma prisão comum. Valério detestaria ser levado para o Centro de Detenção de Guarulhos, na Grande São Paulo. A Justiça Federal decretou ontem a prisão preventiva de Valério, alvo maior da Operação Avalanche - investigação da Polícia Federal (PF) sobre suposto esquema de fraudes fiscais, extorsões e espionagem. O famoso carequinha acusado de operar o caixa 2 do mensalão agora é suspeito de ser o articulador do esquema.

Os criminalistas Marcelo Leonardo e Sérgio Rodrigues Leonardo enviaram um ofício em caráter de urgência à juíza Paula Mantovani, da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, e ao superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra, advertindo: "Há pessoas interessadas no seu silêncio que podem, valendo-se da oportunidade, encomendar sua morte, numa típica ação de queima de arquivo. Desde que Valério foi preso, sua família e pessoas próximas, além dele próprio, receberam, por vias diferentes, alguns recados com ameaças veladas no sentido de que se for transferido para alguma unidade prisional do sistema carcerário estadual estará correndo sério risco de vida".

A decisão de manter Valério preso foi da juíza Paula Mantovani, da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A magistrada estendeu a prisão ao advogado Rogério Tolentino, sócio de Valério. A juíza avalia que "ambos os investigados têm ampla possibilidade de acesso aos órgãos públicos e de obter deles informações sigilosas, de modo que sua colocação em liberdade, nesse momento, colocaria em sério risco a regularidade da instrução criminal".

Para manter Valério e Tolentino presos, a juíza acolheu representação do delegado Rodrigo de Campos Costa, chefe do Setor de Inteligência da PF e condutor da Avalanche. Costa e sua equipe descobriram que, no dia anterior à operação, Valério teria sido alertado e só não escapou porque foi mantido sob severo monitoramento. Alerta Total


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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Justiça francesa ouve Paulo Maluf sobre depósitos suspeitos de 2003 que ele jura ser herança da mulher

Jorge Serrão

O deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que tem imunidade no Brasil, será ouvido hoje pelo juiz francês Henri Pons, que, em 2003, mandou prender o político e sua mulher, Sylvia Maluf, para que explicassem a origem de US$ 1,8 milhão (R$ 3,7 milhões) depositados naquele país. Maluf e Sylvia são titulares de uma conta no Crédit Agricole, em Paris. O saldo foi bloqueado em 2003 pela Justiça francesa, que deseja saber a origem do dinheiro.

O filho do casal Flávio e a ex-mulher dele, Jacqueline, serão ouvidos amanhã no processo criminal movido pelos magistrados Pons e Jean-Marie d’Huy, do Tribunal de Grande Instância de Paris, por suposta lavagem de dinheiro. Flávio e a ex-mulher serão ouvidos porque uma empresa criada por eles, em Liechtenstein, a Fundação Blackbird, teria depositado na conta francesa de Maluf exatos US$ 1.455.321,50.

Processo idêntico contra Maluf tramita no Brasil. Foi iniciado, em 2003, pelo Ministério Público Federal, em São Paulo. Há mais de dois anos, desde que Maluf tomou posse como deputado, o caso está com o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. O deputado nega que tenha conta fora do Brasil. A conta bancária na França é de Sylvia, segundo ele, fruto de imóvel que ela recebeu por herança no Brasil. Alerta Total


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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sérgio Cabral aposta tudo na vitória de Eduardo Paes para ser candidato a suceder Lula, com apoio dos bancos

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Jorge Serrão

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) quer contar com o apoio do chefão Lula da Silva para sucedê-lo no Palácio do Planalto. O futuro de Serginho dependeria da vitória do seu candidato Eduardo Paes contra Fernando Gabeira no segundo turno de disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Cabralzinho tenta se credenciar, porque não conseguem decolar nas pesquisas os nomes de Dilma Rousseff e de Aécio Neves (que poderiam ser os nomes preferidos de Lula para 2010).

A revelação sobre a ambição presidencial de Cabral, que gostaria de ter Dilma como sua candidata a vice na coligação PMDB-PT, vazou ontem, durante conversas entre aliados. No seu projeto, Sérgio Cabral contaria com o apoio de um grande banco que também inunda de recursos a campanha de Eduardo Paes. Os banqueiros são gratos a Cabral porque foi ele quem apresentou o projeto de lei no Senado que permite aos bancos a terceirização da cobrança de dívidas de estados e municípios.

O mineiro Aécio Neves, embora em campanha o tempo todo, vem perdendo espaço no PSDB. Os tucanos vão referendar o nome de José Serra (governador paulista) para a sucessão de Lula. O neto de Tancredo Neves já não conta com o apoio seguro que tinha dos banqueiros internacionais – que já o tinham escolhido e anunciado como candidato presidencial desde 2004, em um mega-jantar na mansão dos Rothschild, na Inglaterra. Diante do desprestígio de Aécio, Cabral também costurou, em Londres e Paris, o apoio da Oligarquia Financeira Transnacional a suas ambições presidenciais.

O calcanhar de Cabral é que não demonstrou a devida força eleitoral neste domingo. Seu apoio não foi suficiente para eleger aliados em algumas prefeituras importantes da Região Metropolitana do Rio, como Niterói, São Gonçalo, Caxias e Nova Iguaçu. Por isso, para seus planos presidenciais darem certo, Cabral precisa de três coisas. Primeiro, que Eduardo Paes conquiste o Palácio da Cidade. Segundo, que Dilma Rousseff abra mão de ser candidata pelo PT e feche uma chapa com ele. Terceiro, que Lula lhe dê, em 2010, o mesmo apoio que os banqueiros já lhe deram. Alerta Total


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domingo, 5 de outubro de 2008

Voto inútil e inseguro

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Jorge Serrão

Mais anti-democrático que o voto obrigatório só o Governo Ideológico do Crime Organizado. A votação compulsória é autoritarismo travestido de “democracia”. Apenas atesta nosso retrocesso político e institucional. Perpetua os currais eleitorais e o voto de cabresto. A pretensa pós-modernidade do inseguro processo eletrônico de votação ironiza e mascara o fato de sermos a vanguarda do atraso em cidadania.

Centro e trinta milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil quinhentos e quarenta e nove cidadãos aptos a votar neste domingo farão suas apostas no cassino eleitoral do Al Capone. Eleitores e eleitoras vão apertar o botão das maquininhas para dar emprego aos políticos durante quatro anos (ou por mais quatro, no caso dos reeleitos). E têm a obrigação de confiar cegamente no sistema informatizado do Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com a Constituição, o voto é obrigatório para os maiores de 18 anos e menores de 70, e facultativo para o eleitorado entre 16 e 18 anos, para os maiores de 70 anos e para os analfabetos. A maquininha burra da urna espera por todos. Somos forçados a sentar o dedo em nossa consciência política. Matamos nosso próprio País com a falta de opção política ou com a insegurança do processo de votação que não permite uma auditoria de resultado.

Neste domingo, estão em disputa os cargos de prefeito e vice-prefeito e mais de 52 mil cadeiras de vereador em 5.563 municípios brasileiros. A apuração da eleição começa às 17h, logo depois do encerramento das votações. A expectativa é de que, por volta das 22h, esteja apurada a maior parte das urnas em todo o País. Vitória de uns. Choro de outros. Derrota da democracia verdadeira.

Graças ao nosso modelo político autoritário, no Brasil, a vida pública é uma extensão da privada (apenas para o pobre eleitor). O político enriquece (ainda mais) da noite para o dia. A eleição é um prêmio de loteria. A regra é bem clara: político por aqui procura emprego. Ganha seu voto e faz a vida dele. Fica dependente e viciado pelo processo de enriquecer a custa do bem público ou da corrupção paga para usurpá-lo.

O eleito nem precisa ser bandido ou corrupto para entrar na dança. Basta ser conivente com o sistema. Os prefeitos e vereadores eleitos a partir de hoje repetirão o esquema em vigor. Prefeituras e Câmaras Municipais são reféns de grandes esquemas de consultoria. Tais empresas, na calada dos legislativos e executivos, produzem as leis. Definem as regras e modelos de gestão. O crime organizado - associação entre criminosos e membros dos poderes do Estado - fatura cada vez mais alto. Nós perdemos!

Prefeitos e vereadores apenas servem de “laranjas” para interesses nem sempre claros de poderosos lobbies. Os consultores “vendem” os pacotes com “soluções”. Tudo padronizadinho. Os políticos autorizam a compra e os colocam em prática. Os cidadãos apenas pagam as contas, através de impostos, contribuições, taxas e multas. Todos elevados a cada dia. Custeamos uma carga de tributos que consome quase a metade de tudo que produzimos.

Somos enganados. Porque aceitamos tomar a volta. Eleições municipais sem um sistema de escolha distrital são puro estelionato. A maioria sabe que o modelo atual não garante representatividade dos eleitos aos eleitores. Os cidadãos com título eleitoral serão obrigados a cumprir o papel de agentes conscientes ou inconscientes de um processo político ilusório. Aceitam, passivamente, tal obrigação.

Mais duro ainda é ver a propaganda oficial pregando a mentira de que a eleição é a festa da democracia. Não é. Eleição é um mero mecanismo de escolha. Você elege o papa, a miss, o craque do jogo, o líder da facção criminosa e os políticos profissionais. Democracia do voto obrigatório é piada sem graça.

Democracia é a Segurança do Direito Natural. Democracia pressupõe o exercício da razão pública. Democracia é a prática da cidadania. Por acaso, temos estas três características básicas do Estado Democrático de Direito no Brasil. Claro que não. Sem isto, o tal governo do povo para o povo é conversinha do Boi Tatá – que é marido da vaca que vai para o brejo do autoritarismo disfarçado.

Quem for cumprir hoje a obrigação do voto tem o dever de pensar que existe solução muito além da urna eletrônica pretensamente confiável. Pouco interesse se você vai voltar em fulano, Beltrano, nulo, em branco ou apenas justificar a ausência ao domicílio eleitoral. O importante é saber que precisamos mudar o sistema eleitoral no Brasil.

Precisamos lutar contra o voto obrigatório. Temos de implantar aqui o sistema distrital. É preciso eleger pessoas próximas, do seu bairro, para que os eleitos possam experimentar a pressão e a fiscalização direta de quem o escolheu como representante bem remunerado. O político que não servir, não trabalhar direito ou roubar, deve perder o emprego.

É fundamental criar mecanismos de controle da Sociedade sobre o Estado. Seriam ideais ouvidorias públicas, com poder de fiscalizar e punir os maus políticos, com suspensão ou perda do mandato, através voto de desconfiança. Temos de substituir o modelo em vigor que só contribui para a corrupção sistêmica. Alerta Total


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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

BC alivia compulsório e deixa bancos se financiarem com empréstimos a receber com medo de quebradeiras

crise 

Jorge Serrão

Pelo menos três financeiras brasileiras de médio porte enfrentam problemas de liquidez. Foram forçadas a parar de emprestar dinheiro. Foram autorizadas pelo Banco Central, como medida de emergência, a se financiarem através da emissão de papéis baseados em empréstimos a receber – sobretudo no formato consignado, onde o risco de calote é quase zero. O BC também anunciou mudanças nas regras compulsórias dos bancos para dar mais liquidez ao mercado. A medida deve injetar R$ 23,5 bilhões no sistema financeiro.

As empresas e bancos encontram dificuldades em conseguir dólares. Nem nos mercados da Ásia havia qualquer sobra de moeda norte-americana. Por isso, o dólar subiu tanto ontem e pode subir ainda mais. A desvalorização do real atingiu 18,5% no último mês. Em outubro tende a ser maior ainda. O câmbio nervoso deve afetar, de imediato, os juros para habitação e o preço de produtos importados típicos do Natal. O pessimismo toma conta do mercado. Pequenos investidores da Bolsa de Valores foram para o saco com suas aplicações. Não se sabe até quando o chefão Lula conseguirá sustentar o discurso irreal de que a crise não chegou ao Brasil.

O BC estuda mudanças no esquema de financiamentos. As operações para aquisição de veículos deve ser as mais afetadas. Os créditos de longo prazo (48 a 72 meses) serão suspensos. A nova regra só vai permitir empréstimos de 36 vezes no máximo, com pelo menos 20% de entrada, para a compra de carros e motos a prazo. As montadoras temem que a diminuição nos prazos de financiamento dificultem as vendas e aumentem os estoques. O medo real é de recessão no médio prazo.

Os supermercados já sentem a queda no consumo e um perigoso aumento de estoques, o que vai afetar novos pedidos de compras para reposição. A equipe econômica sabe de tudo que acontece na realidade. Mas prefere manter o discurso enganoso de Lula sobre as previsões de até 4% de crescimento econômico para 2009.

Hoje, o pacote de socorro aos bancos deve ir à votação na Câmara dos Representantes dos EUA, com risco de ser rejeitado novamente. Há grupos de deputados contrários às emendas que elevaram o custo da ajuda para US$ 850 bilhões. Por isto, o dia será de nervosismo e volatilidade no mercado financeiro. Alerta Total


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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lula minimiza crise, descarta pacote e só pensa em eleger seus candidatos petistas no cassino eletrônico do voto

 

Jorge Serrão

O chefão Lula da Silva não quer saber de crise e nem de pacote. Sua única preocupação é garantir o crédito fácil para seus eleitores, pelo menos até domingo. Depois disso, seja o que a crise quiser e o Banco Central impuser. A privilegiada mente presidencial raciocina exclusivamente no resultado eleitoral. Tanto que Lula vai reforçar as campanhas do PT em São Paulo, embora o Palácio do Planalto minta que ele vá fazer campanha.

No sábado, véspera da eleição municipal, Lula vai se reunir com candidatos petistas e prefeituras da Grande SP, entre eles Marta Suplicy. O encontro será durante almoço em São Bernardo do Campo, berço do PT, e onde Lula já tem um apartamentão e constrói uma mansão na luxuosa “Swiss Park” (mega terreno que pertenceu à família de um atual ministro do Supremo Tribunal Federal).

Ontem Lula cobrou de seus ministros que não falte crédito para os consumidores: “Cuidem do crédito. O Natal está aí”. Foi o recado transmitido pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo – o mesmo que retém as verbas das Forças Armadas no orçamento. Para debelar os efeitos da crise global por aqui, o desgoverno estuda redução dos depósitos compulsórios para elevar o volume de dinheiro destinado ao crédito. No Brasil, ao contrário da maioria dos países, ainda se exige dos bancos o recolhimento obrigatório de R$ 53 para cada R$ 100 em depósitos à vista nos bancos. Nos depósitos a prazo, o recolhimento é de 23%.

Os bancos já diminuíram os prazos para pagamento das parcelas de empréstimos. Para aquisição de veículos, o total de parcelas caiu de 72 para 60 meses. No caso dos eletrodomésticos e crédito pessoal, esse número caiu de 36 para 24 meses. Os juros dessas linhas subiram, em média, para 7,39%. Antes, o percentual era de 7,35%. Agora, caso ocorram mesmo mudanças no recolhimento do compulsório, Lula espera que os banqueiros escancarem, de novo, a torneirinha do crédito fácil – mágica que impulsiona o consumo sem gerar ou distribuir renda no Brasil.

Ontem Lula também descartou um pacote: “Não tem pacote. (A situação) está mais tranqüila”. Para tentar amenizar a escassez de linhas de financiamento externas para o setor agrícola, gerada pala crise dos EUA, o governo decidiu antecipar a liberação de R$ 5 bilhões que o Banco do Brasil previa usar só em 2009.

Outra medida da equipe econômica é a desburocratização do crédito para pequenas e médias empresas. Aprovou-se uma nova regulamentação do compulsório para o leasing e o leilão de venda de dólares para elevar a liquidez. Por enquanto, o desgoverno brasileiro vai esperar o desdobramento da crise americana para decidir medidas internas. Alerta Total


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Bancos e financeiras restringem crédito, e BC só lança pacotinho se Senado dos EUA não aprovar socorro

Jorge Serrão

As financeiras no Brasil começaram a restringir a liberação de crédito direto aos clientes. A medida atinge os empréstimos pessoais, parcelamento de carros e crediários usados na compra de eletrodomésticos. Ontem, o desgoverno pensava se lançava ou não, na véspera da eleição, um pacotinho para restringir o crédito e facilitar a vida dos bancos, como os leilões de câmbio, a redução do compulsório depositado diariamente e a oferta de linhas de redesconto.

O Banco Central não precisou agir tão radicalmente, porque os bancos agiram por conta própria. As instituições diminuíram os prazos para pagamento das parcelas. Para aquisição de veículos, o total de parcelas caiu de 72 para 60 meses. No caso dos eletrodomésticos e crédito pessoal, esse número caiu de 36 para 24 meses. Os juros dessas linhas subiram, em média, para 7,39%. Antes, o percentual era de 7,35%.

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) admite que as financeiras encontram dificuldades de captar recursos no exterior. Por isso, a orientação é segurar a onda da farra do crédito. O Panamericano suspendeu a liberação de crédito para novos clientes. Mesma medida adotada pelo banco BMG. A restrição é uma tendência entre as financeiras de menor porte.

A greve dos bancários por tempo indeterminado - que afeta hoje o Rio e outras regiões do País, como Brasília e São Luís – é bastante conveniente à equipe econômica. Na tese do Banco Central, quanto menor o movimento no sistema financeiro, melhor. Os bancários reivindicam reajuste de 13,23% - inflação acumulada em 12 meses, mais aumento real de 5%. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu 7,5%.

O dia é de expectativa. A tendência é de bolsas de valores com índices estáveis, pelo menos hoje. O amanhã depende do Senado norte-americano que votará, no final da tarde desta quarta-feira, o plano de resgate do setor financeiro proposto pelo governo do presidente George W.Bush.

O pacote de medidas incluirá uma cláusula sobre reduções tributárias, rejeitada segunda-feira pela Câmara dos Representantes do Congresso. Também incluiria um aumento no valor dos depósitos bancários segurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corp, um órgão governamental) para US$ 250 mil, contra US$ 100 mil previstos anteriormente.

A votação acontecerá antes de ser submetida novamente à Câmara, que a rejeitou na segunda-feira por 228 contra 205 votos. A rejeição despencou as bolsas de valores. O índice Dow Jones caiu 770 pontos - a maior queda em número de pontos em toda a sua história.
A decisão de votar depressa foi tomada por Harry Reid, líder da maioria democrata, e Mitch McConell, líder da minoria republicana. Os candidatos à presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain, estarão em Wasington para acompanhar a sessão extraordinária convocada pelo Senado para votar as alterações no pacote do governo. Alerta Total


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