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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O velhaco cachaceiro foi à lona em Bogotá

O pastelão encenado no picadeiro do Circo do Planalto por Dilma Rousseff, Nelson Jobim e Celso Amorim acabou ofuscando o fiasco do palanque ambulante em Bogotá, onde fez escala na quinta-feira passada para animar um encontro entre empresários brasileiros e colombianos. Lula estava lá para discorrer sobre as relações entre os dois países. No meio da discurseira, resolveu discutir a relação com Alvaro Uribe. Foi nocauteado no primeiro assalto.

Caprichando na pose de consultor-geral do mundo, com os olhos voltados para o presidente Juan Manuel Santos, Lula cruzou a fronteira da civilidade com a desfaçatez dos inimputáveis. “Estou certo que você e a presidenta Dilma Rousseff podem fazer mais do que fizemos o presidente Uribe e eu”, começou. Pararia por aí se fosse sensato. Nunca será, confirmou a continuação do falatório: “Tínhamos uma boa relação, mas com muita desconfiança. Não confiávamos totalmente um no outro”.

Lula confia em delinquentes, cafajestes, doidos de pedra, assassinos patológicos, sociopatas, ladrões compulsivos ─ e em qualquer obscenidade cucaracha. Hugo Chávez é um bolívar-de-hospício, mas o amigo brasileiro participou até de comícios eleitorais na Venezuela. Evo Morales tungou a Petrobras e anistiou os ladrões de milhares de carros brasileiros, mas Lula tem muito apreço por um lhama-de-franja. Cristina Kirchner não perde nenhuma chance de atazanar exportadores brasileiros, mas Lula não resiste ao charme da inventora do luto de luxo. O único problema do subcontinente é Uribe.

Embora desprovido de razões para desconfianças, Lula foi permanentemente desrespeitoso ─ e frequentemente grosseiro ─ com o colombiano que também conseguiu dois mandatos nas urnas, despediu-se da presidência com 85% de aprovação nas pesquisas e transmitiu o cargo ao sucessor que escolheu. Embora sobrassem motivos para desconfiar de Lula, Uribe sempre o tratou com respeito e elegância. E suportou pacientemente, durante oito anos, as manifestações unilaterais de hostilidade.

A paciência chegou ao fim, avisou a devastadora sequência de mensagens divulgadas por Uribe no Twitter. “Lula criticava Chávez em sua ausência, mas tremia quando ele estava presente”, pegou no fígado o primeiro contragolpe. Outros três registraram que  “Lula se negou a extraditar o Padre Medina, terrorista refugiado no Brasil”, que “Lula procurou impedir que a televisão transmitisse a reunião da Unasul em Bariloche que discutiu o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos” e que “Lula jamais admitiu que os integrantes das FARC são narcoterroristas”.

O quinto contragolpe ─ “Lula fingia durante o governo que era o nosso melhor amigo” ─ não seria o último. Mas o nocaute já se consumara quando foi desferido. É compreensível que o viajante ainda estivesse grogue no dia seguinte, como comprovam a forma e o conteúdo da entrevista publicada pelo jornal O Tempo. “Sinceramente, estranhei muito a reação do companheiro Uribe, por quem tenho profundo respeito”, recuou o palanqueiro, que se negou a comentar o teor das mensagens.

“Se ele tem alguma dúvida com alguma coisa que eu disse, seria mais fácil me chamar em vez de tuitar”, queixou-se. O uso do neologismo parece ter induzido o repórter a acreditar que Lula tem intimidade com modernidades virtuais. Pretendia usar o twitter para responder a Uribe? , quis saber o jornalista. “Não, porque é preciso pensar antes de dizer as coisas, e muitas vezes no Twitter a pessoa não pensa, simplesmente escreve”, desconversou.

Como o entrevistador não replicou, pode-se deduzir que não conhece direito o entrevistado. Deveria ter-se informado com Uribe, que sabe com quem está falando. O ex-presidente colombiano sabe que Lula é do tipo que primeiro fala e depois pensa ─ se é que pensa. Sabe que Lula não escreve, em redes sociais ou num guardanapo do botequim, pela simples e boa razão de que não quis aprender a escrever.

Lula comprou a briga usando o microfone. Colidiu com a palavra escrita e acabou nocauteado pelo Twitter.

Augusto Nunes


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sábado, 24 de julho de 2010

Opinião do Estadão: A nova bravata de Chávez

Diante das evidências contundentes sobre a presença de 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano, apresentadas à Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente Hugo Chávez reagiu na sua típica maneira destemperada: invocando a "dignidade" nacional, rompeu relações diplomáticas com o governo de Bogotá e ordenou às Forças Armadas que entrassem em "alerta máximo" na fronteira entre os dois países.

A dignidade da Venezuela estaria mais bem servida se, em primeiro lugar, tivesse um dirigente que não se comportasse como um histrião. Mas Chávez armou o cenário para o anúncio da ruptura com a participação, que acabou sendo ridícula, de seu "correligionário" argentino Diego Maradona, que com ar estuporado ouviu a catadupa de impropérios que dirigiu ao presidente colombiano Álvaro Uribe. Essa foi a resposta às provas exibidas na OEA de que continua dando guarida ao bando de narcotraficantes em que se transformaram as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que desgraçaram a nação vizinha antes de serem acuadas pela tenaz política de segurança adotada por Uribe.

"A Venezuela deveria romper relações com as gangues que sequestram, matam e traficam drogas, e não com um governo legalmente constituído", comentou o embaixador colombiano na OEA, Luis Alfonso Hoyos. Foi na sede da OEA, em Washington, que os representantes colombianos exibiram vídeos, mapas e fotos aéreas indicando a localização dos acampamentos das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

"São ao menos 87 estruturas completamente armadas em território venezuelano", descreveu Hoyos. Os acampamentos "continuam se consolidando". Nas regiões do país onde se instalaram, geralmente em locais fronteiriços, os farquistas não se conduzem como se estivessem batendo em retirada ou apenas se reagrupando. Controlam com mão de ferro as desafortunadas populações, a ponto de lhes impor o toque de recolher a cada dia.

Foi essa realidade que a Colômbia buscou descortinar na reunião de emergência da OEA, convocada a seu pedido. Além disso, representantes de Bogotá exortaram Chávez a permitir que observadores estrangeiros visitassem as áreas onde se situam os santuários das Farc. Para surpresa de ninguém, a Venezuela se recusou a fazê-lo, o que dá a devida dimensão a suas tentativas de desmentir fatos que constituem uma clara violação das normas da Carta da OEA sobre a convivência pacífica dos países do Hemisfério.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Opinião do Estadão: O ''autoritarismo popular'' de Lula

Governo Lula: ‘Uma espécie de volta, em trajes civis, ao regime dos generais’. Antes os generais!

O venezuelano Hugo Chávez é um tipo rudimentar. O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não é. Chávez, que impôs ao seu país a reeleição ilimitada, diz não entender por que um presidente "que governa bem e tem 80% de aprovação" não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, como se as regras da ordem democrática devessem variar conforme o desempenho dos governantes e os seus índices de popularidade. Lula, que, em parte por convicção, em parte por um cálculo do custo-benefício da aventura reeleitoral, recusou a possibilidade, acredita que pode chegar aonde quer por outros meios, mais sofisticados do que é capaz de conceber a mentalidade tosca do coronel de Caracas. Trata-se da criação de um novo e presumivelmente duradouro bloco de controle da máquina estatal, da manipulação desabrida de um sistema político desvitalizado e da exploração incessante do culto à personalidade do líder, para que a adulação da massa legitime os seus desmandos e intimide a oposição.

No interior do governo, Lula aninha uma burocracia sindical que se apropria sistematicamente do mando dos gigantescos fundos de pensão das estatais, os quais, por sua vez, têm assento nos conselhos das mais poderosas empresas brasileiras. Forma-se assim uma intrincada trama de interesses que se respaldam reciprocamente, não raro em parceria com empresários que conhecem o caminho das pedras - "nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas", diz Fernando Henrique -, fundindo-se "nos altos-fornos do Tesouro". Isso dá ao presidente um poder formidável sobre o Estado nacional que extrapola de longe as suas atribuições constitucionais. É uma espécie de volta, em trajes civis, ao regime dos generais. No trato com o Congresso, Lula faz os pactos que lhe convierem com tantos Judas quantos estiverem dispostos a servi-lo para se servirem dos despojos da administração federal, enquanto a oposição balbucia objeções que dão a medida de sua irrelevância.

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sábado, 31 de outubro de 2009

Opinião do Estadão: O mentor da imprensa

Lula e Chávez: Amigos da imprensa livre

À primeira vista, o presidente Lula é um poço de contradições em relação à imprensa. Ora ele diz que "é importante a gente ler todos os jornais que puder por dia". Ora diz que não lê jornais porque tem "problemas de azia". Mais de uma vez creditou à "imprensa livre e independente" a sua ascensão política. Mas também já declarou que se elegeu não porque "a imprensa me ajudou", mas porque "suei para enfrentar o preconceito e o ódio dos de cima para com os debaixo". Nesse ponto pelo menos é coerente: está seguro de que a sua reeleição no segundo turno de 2006, depois dos escândalos do mensalão e dos aloprados, representou uma fragorosa derrota da mídia e dos "formadores de opinião" que tentavam tutelar o eleitorado. Não só para ele, de fato, mas para 11 em cada 10 petistas, os meios de comunicação, aliados aos "de cima", tentaram derrubá-lo, fabricando a história da compra sistemática de deputados para que votassem com o governo. É a teoria da conspiração em sentido literal.

O Lula contraditório, a "metamorfose ambulante", como certa vez se autodefiniu, reaparece quando ele se manifesta sobre o cerco do governo Hugo Chávez ao que ainda resta de independente na imprensa venezuelana. Três anos atrás, fazendo campanha pela reeleição do caudilho, subiu num palanque no vizinho país para afirmar que o caudilho era "vítima da incompreensão e do preconceito" da mídia. Mas, anteontem, numa entrevista por escrito ao El Universal, de Caracas, Lula se recusou a comentar as perseguições chavistas aos órgãos de informação - só este ano 32 emissoras de rádio foram tiradas do ar na Venezuela. Preferiu falar da situação no Brasil. "No meu país, a imprensa goza de total liberdade", ufanou-se, omitindo embora o caso do Estado, sob censura prévia há 3 meses por decisão judicial. E completou, com palavras irrespondíveis, se tomadas pelo valor de face: "Sou duramente criticado no Brasil por boa parte da imprensa, muitas vezes de maneira injusta, em minha opinião. Mas isso não muda em nada minha convicção de que a liberdade de imprensa é essencial."

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Fidel não escreve "Reflexões" há 4 semanas

Fidel Castro jogando forca: continue bonzinho assim, tá?

O ex-presidente cubano Fidel Castro está há quatro semanas sem escrever suas "Reflexões", apesar dos eventos registrados no país, como a entrada de Cuba no Grupo do Rio, a visita à ilha de líderes com os quais não se reuniu e o 50º aniversário da Revolução Cubana.

O governante venezuelano, Hugo Chávez, afirmou no domingo que "o Fidel que percorria as ruas e cidades de madrugada (...), com seu uniforme e abraçando as pessoas, não voltará, ficará na lembrança", algo ratificado pelos dois anos e meio nos quais o líder cubano está sem aparecer em público.

O comandante-em-chefe, de 82 anos, não publica desde 15 de dezembro um novo artigo das "Reflexões", que começaram a ser difundidas em março de 2007.

Essa última coluna foi dedicada à comissão que elabora o convênio ambiental global que substituirá o de Kioto. O líder criticou os membros do grupo por acreditarem que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pode mudar o curso da história.

Nas últimas semanas, e a oito dias de o novo presidente assumir o poder na Casa Branca, Fidel não disse uma palavra sobre o assunto. Ultimo Segundo


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Opinião no Estadão: Pirotecnia terceiro-mundista

O Mercosul é, em tese, um projeto saudável. Sua rota, do curto ao longo prazo (livre comércio/integração infra-estrutural-união aduaneira e, num futuro por ora utópico, algum grau de associação similar à União Européia), está sendo tumultuada, mas seus tropeços internos e nas posições em negociações abrangentes são suscetíveis de acomodação, embora nem sempre fáceis. Entretanto, esse otimismo, realisticamente moderado, correrá risco caso seja ratificado o ingresso pleno da Venezuela na organização, com os direitos dos sócios fundadores. Na verdade, o risco não decorre propriamente do país Venezuela, de potencial promissor em princípio bem-vindo, mas do regime que o controla. Por que isso?

A Venezuela está vivendo uma situação singular, caracterizada pela visão messiânico-salvacionista de sua política bolivariana ou socialista do século 21- uma versão de nacionalismo populista-distributivista permeada por nuanças de democracia delegativa e limitada: Congresso submisso, politização do Judiciário, restrições à liberdade de imprensa, eleição popular do líder que, entendido como intérprete e representante do povo, personaliza o Estado. Permeada pelo clientelismo e assistencialismo cevados na receita do petróleo e - característica dos regimes dessa natureza - pela hostilidade a um bode expiatório culpado de tudo: o "império", protagonizado pelos EUA. Finalmente, como todo ideário messiânico-salvacionista, também sua versão bolivariana precisa expandir-se, tornar-se supranacional, como pretendia Trotski para o comunismo soviético, criar satélites e neles exercer influência, a exemplo da situação evidenciada na Bolívia hoje.

Nesse quadro dinâmico - novamente, à sombra da receita do petróleo, em grande parte resultante da sua venda ao "império" -, o presidente Hugo Chávez procura criar e liderar um (neo)terceiro-mundismo anacrônico, que cultua a luta de classes entre países mais e menos desenvolvidos, mobiliza psicopoliticamente o povo e ajuda a anestesiar problemas internos. Agora mais centrado na América do Sul, já que os países relevantes do velho terceiro-mundismo do tempo da guerra fria, em particular os asiáticos, estão preferindo se aproximar do Primeiro Mundo, ou até mesmo nele entrar, a se opor a ele (é o caso da Índia), com o presidente Chávez tentando cooptar a simpatia russa, usando para isso sua condição de grande comprador de material bélico russo que, na retórica bolivariana, destinar-se-ia à defesa contra o "império". O programado exercício naval conjunto Venezuela-Rússia no Caribe é parte desse enredo psicodélico: vazio sob a perspectiva estratégica, mas útil ao teatro venezuelano anti-EUA, que a Rússia vê com discreta satisfação...

Num regime assim caracterizado é natural a tendência à politização viciosa da economia, é natural que a conveniência econômica seja influenciada por parâmetros da sua política redentora, entendidos como legitimados pelo ideário salvacionista. Nessas circunstâncias, e dadas as regras do Mercosul, já rotineiramente problemáticas (igualitarismo e consenso), uma vez ratificado o ingresso pleno da Venezuela, muito provavelmente as negociações internas e as do Mercosul com outros países ou organizações supranacionais estarão um tanto reféns das perspectivas políticas do redentorismo (neo)terceiro-mundismo venezuelano (mais propriamente "chavista"), mesmo que em detrimento da lógica econômica. O avanço do Mercosul poderá vir a ser cerceado não só por divergências internas, de solução complicada, mas viável, e mais pela pressão das idiossincrasias petromilagrosas do socialismo do século 21, a que o ingresso pleno terá dado condições de tumultuar a vida da organização. Em razão da sua condição de maior economia, naturalmente interessado na integração supra-regional, conveniente à sua ascensão no quadro global, o Brasil é candidato a ser particularmente atingido.

Na sua decisão sobre a ratificação do ingresso da Venezuela, nosso Congresso deve pensar a respeito: é aceitável para o Brasil, o país de maior peso na organização, sujeitar sua conveniência sensatamente avaliada e a de seus sócios originais às perspectivas redentoras do socialismo bolivariano do século 21? É aceitável para o Brasil (e para os demais sócios originais) admitir que tais perspectivas ameacem o avanço orgânico do Mercosul e de seu relacionamento com o mundo desenvolvido, onde realça o "império" satanizado? Os ganhos econômicos, que provavelmente existirão, do ingresso pleno da Venezuela no Mercosul compensarão os também prováveis embaraços que advirão do condicionamento da organização ao tempero da ideologia visionária do socialismo bolivariano do século 21? Enfim, compartilhar soberania e regras por força da racionalidade econômica é diferente de compartilhá-las por força de posições políticas visionárias. Cabe, portanto, a dúvida: convém-nos mais ratificar o ingresso ou a cautela coerente com a condição do Brasil de país que, em vez de ser parte de uma política "antiimpério", tem condições para se aproximar do Primeiro Mundo, até de ingressar nele? É melhor para o Brasil a pirotecnia ou o pragmatismo que promova seu progresso?

Se já temos tido problemas com a Argentina no tocante às posições de natureza econômica no campo interno (mercado comum, união aduaneira) e nas complicadas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), imaginemos quão mais difíceis serão eles, internamente e em negociações do Mercosul com outras organizações ou países, quando as posições comuns do bloco em temas econômicos passarem a ser influenciadas por humores políticos que tendem a pôr a América Latina em confronto com o mundo mais desenvolvido. O Mercosul - o atual e o cautelosamente ampliado - ver-se-á bloqueado já em seus passos hoje possíveis, no longo caminho para algo que o aproximasse algum dia do que é hoje a União Européia.

Mário Cesar Flores é almirante-de-esquadra (reformado)


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domingo, 28 de setembro de 2008

Quem bate? - Chávez faz visita surpresa a Cuba

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez uma visita surpresa a Cuba sábado à noite e passou um tempo em um encontro portas fechadas com o presidente Raúl Castro e seu irmão adoentado Fidel.

Um registro no site do jornal da Juventude Comunista “Juventude Rebelde” diz que Chávez desembarcou por volta de 20h30 locais (21h30 de Brasília) e foi recebido no aeroporto por Raúl. Cháves então encontrou-se com os dois irmãos, de acordo com o texto da Internet, que foi publicado perto de meia hora após a chegada do venezuelano. A reportagem não dá mais detalhes e não há comentários adicionais do governo cubano.

Esta foi a segunda visita a Cuba em menos de uma semana de Chávez, que foi a Havana por algumas horas segunda-feira como parte de sua previamente anunciada parada no começo de sua viagem para China, Rússia e Europa. Esta visita de sábado não tinha sido previamente agenda. Durante do dia, no entando, a televisão estatal cubana mostrou imagens de Chávez sendo entrevistado em Portugal, onde ele disse não ter muito para falar porque "Fidel estava esperando" por ele em Havana. Os dois são amigos íntimos e aliados socialistas, e generosos carregamentos de petróleo com preços favoráveis têm ajudadado a manter a economia da ilha. Agência Estado


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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Chávez visita a Rússia e transmite saudações de irmãos Castro a Medvedev

O presidente da Venezuela Hugo Chávez iniciou a sua visita à Rússia. Hoje teve um encontro com o primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Após a reunião Putin declarou que as relações da Rússia com a América Latina serão a maior prioridade de Moscou. Não é estranho, tendo em conta que em relação às  atividades da Rússia em conflito militar com Geórgia, só os países latino-americanos (Cuba, Nicarágua e Venezuela) a apoiaram com toda firmeza.

Putin propôs a Chávez a cooperação na área de energia nuclear. "Estamos todos prontos para considerar a possibilidade de operar na esfera da energia atômica pacífica", disse Putin .

Putin anunciou um empréstimo de US$ 1 bilhão à Venezuela para que o país latino compre as armas russas e comunicou que a Gazprom - companhia de gás russa - está pronta para começar a explorar hidrocarbonetos na costa venezuelana no final de outubro. "Estou muito contente de informar que está planejado o lançamento da primeira torre de perfuração da Gazprom para o fim de outubro", declarou.

A aliança militar entre a Rússia e TU-160Venezuela se fortalece. A Venezuela  já comprou caças de combate, tanques e rifles gastando cerca de 4,2 bilhões de dólares. Há pouco os bombardeiros russos Tu-160 regressaram do país latino, da base militar da qual realizaram os vôos de patrulhamento.

"Eu não posso deixar de agradecer você pela cordialidade na recepção da equipe de nossos aviões bombardeiros estratégicos que passaram vários dias na Venezuela", disse Putin a Chávez.

Chávez, por sua vez, disse considerar que a manutenção de relações mais próximas entre Caracas e Moscou ajudará a fortalecer um mundo multipolar.

É obvio , que o governo russo, enfim, chegou à conclusão que a melhor maneira fazer parar os norte-americanos na sua atividade anti-russa perto das fronteiras russas é dirigir atenção dos EUA às regiões da sua influência tradicional na América Latina.

Nesta sexta-feira Hugo Chávez terá um encontro com o presidente russo Dmitri Medvedev na cidade de Orenburgo, nos Urais. Segundo a informação oficial, serão discutidas as questões da cooperação econômica, principalmente, de setores energético e mineiro.

Segundo um porta-voz do Kremlin em projetos desenvolvidos na Venezuela além da Gazprom, participarão Lukoil, TNK-BP, (ambas petrolíferas) Alumínios de Rússia, Vnigaz (de gás), RusKaolin, Rasnoimport (os metais não ferrosos). E em perspectiva se prevê a execução de projetos conjuntos relacionados com infra-estrutura rodoviária e transporte aéreo. O porta-voz disse que a postura da Rússia e Venezuela em muitos aspetos é próxima ou coincide. Hugo Chávez transmitiu saudações a Medvedev dos dirigentes de Cuba, Pedro_o_grandeFidel Castro e Raul Castro.

O cruzador nuclear "Pedro, o Grande" o principal navio da Frota do Norte, o navio anti-submarino "Almirante Chabanenko", o reborcador "Nikolai Chikin" e o navio cisterna "Ivan Búbnov seguem nos próximos dias para Venezuela para participar de manobras militares conjuntas. Pravda.Ru


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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Chávez acusa FBI e CIA de fazer "invenções" sobre "caso da mala"

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse hoje que os órgãos de inteligência dos Estados Unidos fizeram uma "invenção" em torno da apreensão da mala com US$ 800 mil, que estava em poder do empresário Guido Antonini Wilson, em Buenos Aires para "prejudicar" as relações entre o seu país e a Argentina.

"Condenam-me por uma mala inventada pelo o FBI (Polícia federal americana) e a CIA (agência de inteligência americana) para tentar prejudicar as relações do Governo da Argentina com o venezuelano", declarou Chávez em Moscou, em entrevista por telefone para rede estatal "Venezolana de Televisión".

Chávez faz visita de trabalho a Rússia, terceira etapa de sua viagem de uma semana, que começou no domingo em Cuba, passou pela China, e ainda irá a França e Portugal.

A Justiça americana acusa quatro venezuelanos e um uruguaio de atuar como agentes do Governo de Chávez em uma operação para esconder a origem dos US$ 800 mil apreendidos na Argentina, em agosto de 2007.

Antonini Wilson se transformou na principal estrela do julgamento que ocorre em Miami. Segundo gravações de conversas dos acusados apresentadas como provas, o dinheiro seria destinado a campanha da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

O empresário, testemunha protegida pelo FBI, disse no julgamento que, além dos US$ 800 mil apreendidos, havia outros US$ 4,2 milhões no avião que ele usou para chegar a Buenos Aires acompanhado de altos funcionários de empresas petrolíferas de Venezuela e Argentina. Agência EFE


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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Chávez se reunirá com presidente russo na quinta-feira

chavez_Medvedev

A reunião entre os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e russo, Dimitri Medvedev, acontecerá na quinta-feira (25) no sul da Rússia, perto da fronteira com o Azerbaijão, afirmou nesta terça-feira o presidente sul-americano.

"Irei me reunir com o presidente Medvedev no sul da Rússia, perto da fronteira com o Azerbaijão, onde ocorrerão manobras militares. Vamos nos encontrar para trocar idéias", afirmou Chávez em declarações por telefone à rede estatal de televisão venezuelana.

Chávez se encontra na China desde segunda-feira e seguirá viajem para a Rússia amanhã, em um tour internacional que também inclui França e Portugal.

A visita de Chávez à Rússia acontece logo depois de uma frota de navios russos ter partido de sua base no Ártico com destino à Venezuela, onde realizará manobras conjuntas em um exercício militar sem precedentes desde o fim da Guerra Fria.

Sobre esse assunto, Chávez afirmou que a partida da frota russa ao Caribe não representa "um anúncio de guerra, mas sim de paz". "Cada um toma suas medidas de proteção (contra os Estados Unidos)", afirmou o presidente venezuelano.

Exercício militar

A Frota do Norte inclui a nau capitânia, o cruzador lança-mísseis de propulsão nuclear Pedro, o Grande, o destróier Almirante Chabanenko e navios de escolta, segundo a marinha russa.

A frota militar russa deverá chegar às águas territoriais da Venezuela em novembro ou dezembro. Essas manobras, inéditas no Caribe desde o fim da Guerra Fria, serão realizadas em uma região próxima aos Estados Unidos - considerada há um século como zona de influência americana - e no momento em que as relações entre Moscou e Washington estão abaladas pela intervenção russa na Geórgia, no início de agosto.

O Exército russo invadiu a Geórgia para defender os separatistas pró-russos da Província da Ossétia do Sul, que havia auto-declarado independência nos anos 1990 e cujo controle os militares georgianos tentavam retomar. Os conflitos duraram quase um mês e a ofensiva Rússia foi alvo de ampla condenação no Ocidente.

Em setembro, dois bombardeiros russos TU-160 permaneceram por uma semana na Venezuela para realizar "vôos de treinamento", no que Chávez chamou de "advertência" aos Estados Unidos. Folha Online


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sábado, 13 de setembro de 2008

Forças Armadas bolivianas fizeram 'greve', diz Chávez

O presidente da Venezuela Hugo Chávez acusou as Forças Armadas da Bolívia de fazerem "greve" o que teria permitido, na opinião do presidente, "um massacre do povo boliviano" na escalada de violência dos últimos dias na Bolívia que já deixou pelo menos 16 mortos.

As afirmações de Chávez são uma resposta às críticas do comandante das Forças Armadas, general Luis Trigo, que na sexta-feira rejeitou as declarações do presidente venezuelano. Na véspera, Chávez advertiu que apoiaria uma rebelião armada no país, caso a oposição tente "derrubar" ou "matar" o presidente da Bolívia, Evo Morales.

"Eu sei que esse general e outros generais têm uma espécie de greve de braços caídos que permitiu que os fascistas e paramilitares massacrassem ao povo da Bolívia", disse Chávez. "E se estou equivocado general, me demonstre o contrário, apóie ao presidente da Bolívia e não aos paramilitares (...) me demonstre o contrário general e terás minha mão de soldado, falo de soldado a soldado", acrescentou.

O presidente venezuelano diz ter informações de que "capangas" estrangeiros estão sendo contratados para assassinar aos simpatizantes de Morales nos enfrentamentos com os grupos de oposição.

Ingerência

Na sexta-feira, o general Luis Trigo, defendeu a "independência" dos militares bolivianos e a "não intromissão" estrangeira na Bolívia, fazendo referência direta à Chávez. O presidente venezuelano disse que a resposta do general "não foi consultada" com Morales, seu principal aliado na América do Sul.

"General Trigo, o senhor tem razão, eu não devo me meter nas coisas internas da Bolívia, mas que bom seria escutar o senhor dizer algo sobre a ingerência grosseira e terrível do império americano no seu país", afirmou o presidente venezuelano diante de militares das Forças Armadas da Venezuela. Chávez disse que na reunião extraordinária da Unasul, convocada para esta segunda-feira em Santiago do Chile, os países deverão tomar ações "para frear o fascismo" na Bolívia.

"Eu disse a um presidente amigo: estão derrubando Evo (Morales) diante de nossos narizes e (...) vamos ficar de braços cruzados?", disse Chávez.

'Braços cruzados'

O líder venezuelano voltou a dizer que "não cruzará os braços" no caso de um golpe de Estado. "Não queremos meter-nos na situação interna de nenhum país, mas se derrubam ou matam a Evo (Morales), não ficarei de braços cruzados", acrescentou.

O presidente venezuelano disse se a oposição conseguir manter os bloqueios e sabotagens às instalações de gás, haverá uma "crise" no Cone Sul. "Brasil, Argentina, Chile (...) para poder acender as luzes e acionar os motores das fábricas e indústrias dependem do gás da Bolívia. Os ianques estão machucando o coração da América do Sul, alguém não se deu conta?", disse. BBC Brasil


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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Pessoa boa



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Chávez expulsa embaixador dos Estados Unidos

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seguiu decisão do governo da Bolívia nesta quinta-feira e também ordenou a expulsão do embaixador dos Estados Unidos de seu país. O diplomata Patrick Duddy tem um prazo de 72 horas para deixar a Venezuela.
Chávez, que ordenou ainda a saída de seu corpo diplomático de Washington, disse que tomava a decisão em apoio ao governo de Evo Morales, um de seus principais aliados na América do Sul.

"Para que a Bolívia saiba que não está sozinha. Tem 72 horas, a partir deste momento, o embaixador ianque em Caracas para sair da Venezuela, em solidariedade à Bolívia e ao povo da Bolívia", afirmou Chávez em um ato de campanha política no Estado de Carabobo.
Horas antes, o governo boliviano anunciava prazo semelhante para que o embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, deixe o país.

Morales enfrenta há três dias uma das piores crises de seu governo, com uma escalada da violência realizada por grupos separatistas opositores, considerados a elite boliviana.

"Já basta de tanta merda de vocês (...) aqui há um povo digno, ianques de merda", disse Chávez.

No ínicio do mês, Chávez já havia ameaçado expulsar o embaixador americano por criticar a política de combate ao narcotráfico do governo venezuelano.

''(Há) milhões de nós dispostos a brigar pela Bolívia", acrescentou diante de milhares de simpatizantes que o ovacionavam com o coro: "Assim, assim, assim que se governa".

Sem petróleo

O mandatário venezuelano voltou a ameaçar cortar o abastecimento de petróleo dos Estados Unidos se Washington atacar seu país e afirmou que só restabelecerá os canais diplomáticos com o governo americano quando este país tiver outro presidente.

Mais cedo, Chávez ameaçou intervir na Bolívia e apoiar um movimento armado boliviano para "restituir o governo" caso a oposição derrube Morales ou "tente matar" o mandatário boliviano.

O presidente venezuelano acusou também o governo dos Estados Unidos de estar por trás de um plano de golpe de Estado que, supostamente, estava sendo planejado por oficiais das Forças Armadas venezuelanas, e que foi "revelado" na noite desta quarta-feira em um programa do canal oficial VTV.

A revelação das gravações telefônicas com o plano para a tomada do Palácio de Governo e um suposto assassinato de Chávez foi o tema central das discussões entre os venezuelanos nesta quinta-feira e pautou quase que a totalidade da programação do canal oficial.

No início da noite desta quinta-feira, milhares de simpatizantes do governo se concentraram do lado de fora do Palácio de Miraflores, em uma manifestação convocada pelo partido do governo, PSUV, para "rechaçar as tentativas golpistas" e expressar apoio ao presidente.

Em 2002, um golpe de Estado organizado pela oposição empresarial e apoiado pelos meios de comunicação fracassou. Com manifestações populares e com o apoio de militares constitucionalistas, Chávez regressou ao poder em 48 horas. BBC Brasil


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