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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O velhaco cachaceiro foi à lona em Bogotá

O pastelão encenado no picadeiro do Circo do Planalto por Dilma Rousseff, Nelson Jobim e Celso Amorim acabou ofuscando o fiasco do palanque ambulante em Bogotá, onde fez escala na quinta-feira passada para animar um encontro entre empresários brasileiros e colombianos. Lula estava lá para discorrer sobre as relações entre os dois países. No meio da discurseira, resolveu discutir a relação com Alvaro Uribe. Foi nocauteado no primeiro assalto.

Caprichando na pose de consultor-geral do mundo, com os olhos voltados para o presidente Juan Manuel Santos, Lula cruzou a fronteira da civilidade com a desfaçatez dos inimputáveis. “Estou certo que você e a presidenta Dilma Rousseff podem fazer mais do que fizemos o presidente Uribe e eu”, começou. Pararia por aí se fosse sensato. Nunca será, confirmou a continuação do falatório: “Tínhamos uma boa relação, mas com muita desconfiança. Não confiávamos totalmente um no outro”.

Lula confia em delinquentes, cafajestes, doidos de pedra, assassinos patológicos, sociopatas, ladrões compulsivos ─ e em qualquer obscenidade cucaracha. Hugo Chávez é um bolívar-de-hospício, mas o amigo brasileiro participou até de comícios eleitorais na Venezuela. Evo Morales tungou a Petrobras e anistiou os ladrões de milhares de carros brasileiros, mas Lula tem muito apreço por um lhama-de-franja. Cristina Kirchner não perde nenhuma chance de atazanar exportadores brasileiros, mas Lula não resiste ao charme da inventora do luto de luxo. O único problema do subcontinente é Uribe.

Embora desprovido de razões para desconfianças, Lula foi permanentemente desrespeitoso ─ e frequentemente grosseiro ─ com o colombiano que também conseguiu dois mandatos nas urnas, despediu-se da presidência com 85% de aprovação nas pesquisas e transmitiu o cargo ao sucessor que escolheu. Embora sobrassem motivos para desconfiar de Lula, Uribe sempre o tratou com respeito e elegância. E suportou pacientemente, durante oito anos, as manifestações unilaterais de hostilidade.

A paciência chegou ao fim, avisou a devastadora sequência de mensagens divulgadas por Uribe no Twitter. “Lula criticava Chávez em sua ausência, mas tremia quando ele estava presente”, pegou no fígado o primeiro contragolpe. Outros três registraram que  “Lula se negou a extraditar o Padre Medina, terrorista refugiado no Brasil”, que “Lula procurou impedir que a televisão transmitisse a reunião da Unasul em Bariloche que discutiu o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos” e que “Lula jamais admitiu que os integrantes das FARC são narcoterroristas”.

O quinto contragolpe ─ “Lula fingia durante o governo que era o nosso melhor amigo” ─ não seria o último. Mas o nocaute já se consumara quando foi desferido. É compreensível que o viajante ainda estivesse grogue no dia seguinte, como comprovam a forma e o conteúdo da entrevista publicada pelo jornal O Tempo. “Sinceramente, estranhei muito a reação do companheiro Uribe, por quem tenho profundo respeito”, recuou o palanqueiro, que se negou a comentar o teor das mensagens.

“Se ele tem alguma dúvida com alguma coisa que eu disse, seria mais fácil me chamar em vez de tuitar”, queixou-se. O uso do neologismo parece ter induzido o repórter a acreditar que Lula tem intimidade com modernidades virtuais. Pretendia usar o twitter para responder a Uribe? , quis saber o jornalista. “Não, porque é preciso pensar antes de dizer as coisas, e muitas vezes no Twitter a pessoa não pensa, simplesmente escreve”, desconversou.

Como o entrevistador não replicou, pode-se deduzir que não conhece direito o entrevistado. Deveria ter-se informado com Uribe, que sabe com quem está falando. O ex-presidente colombiano sabe que Lula é do tipo que primeiro fala e depois pensa ─ se é que pensa. Sabe que Lula não escreve, em redes sociais ou num guardanapo do botequim, pela simples e boa razão de que não quis aprender a escrever.

Lula comprou a briga usando o microfone. Colidiu com a palavra escrita e acabou nocauteado pelo Twitter.

Augusto Nunes


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sábado, 24 de julho de 2010

Opinião do Estadão: A nova bravata de Chávez

Diante das evidências contundentes sobre a presença de 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano, apresentadas à Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente Hugo Chávez reagiu na sua típica maneira destemperada: invocando a "dignidade" nacional, rompeu relações diplomáticas com o governo de Bogotá e ordenou às Forças Armadas que entrassem em "alerta máximo" na fronteira entre os dois países.

A dignidade da Venezuela estaria mais bem servida se, em primeiro lugar, tivesse um dirigente que não se comportasse como um histrião. Mas Chávez armou o cenário para o anúncio da ruptura com a participação, que acabou sendo ridícula, de seu "correligionário" argentino Diego Maradona, que com ar estuporado ouviu a catadupa de impropérios que dirigiu ao presidente colombiano Álvaro Uribe. Essa foi a resposta às provas exibidas na OEA de que continua dando guarida ao bando de narcotraficantes em que se transformaram as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que desgraçaram a nação vizinha antes de serem acuadas pela tenaz política de segurança adotada por Uribe.

"A Venezuela deveria romper relações com as gangues que sequestram, matam e traficam drogas, e não com um governo legalmente constituído", comentou o embaixador colombiano na OEA, Luis Alfonso Hoyos. Foi na sede da OEA, em Washington, que os representantes colombianos exibiram vídeos, mapas e fotos aéreas indicando a localização dos acampamentos das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

"São ao menos 87 estruturas completamente armadas em território venezuelano", descreveu Hoyos. Os acampamentos "continuam se consolidando". Nas regiões do país onde se instalaram, geralmente em locais fronteiriços, os farquistas não se conduzem como se estivessem batendo em retirada ou apenas se reagrupando. Controlam com mão de ferro as desafortunadas populações, a ponto de lhes impor o toque de recolher a cada dia.

Foi essa realidade que a Colômbia buscou descortinar na reunião de emergência da OEA, convocada a seu pedido. Além disso, representantes de Bogotá exortaram Chávez a permitir que observadores estrangeiros visitassem as áreas onde se situam os santuários das Farc. Para surpresa de ninguém, a Venezuela se recusou a fazê-lo, o que dá a devida dimensão a suas tentativas de desmentir fatos que constituem uma clara violação das normas da Carta da OEA sobre a convivência pacífica dos países do Hemisfério.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Crise em Honduras: Amorim nega uso político de embaixada por Zelaya

Crise em Honduras: Zé e sua laia rezando um terço dentro da Embaixada do Brasil

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira à BBC Brasil que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não vai usar a embaixada brasileira na capital hondurenha, onde está refugiado desde segunda-feira, como instrumento político para convocar simpatizantes.

"Isso não vai acontecer", disse Amorim, que falou com exclusividade à BBC Brasil em Nova York, momentos antes de entrar em uma reunião do Conselho de Chanceleres da América do Sul e Países Árabes.

Amorim também comentou as declarações feitas pela vice-chanceler do governo interino de Honduras, Martha Lorena Alvarado. Na terça-feira, Alvarado acusou o Brasil de ingerência e disse que o país será considerado responsável em caso de "derramamento de sangue".

Segundo Amorim, o governo brasileiro não considera Alvarado chanceler de Honduras.

Ela pertence ao Ministério nomeado por Roberto Micheletti após a expulsão de Zelaya do país, em 28 de junho. Esse governo interino não é reconhecido pelo Brasil, que considera Zelaya o presidente legítimo de Honduras.

"Do nosso ponto de vista, a chanceler é a Patrícia Rodas (chanceler do governo de Zelaya), que está aqui", disse o ministro brasileiro.

"Quem está fechando os aeroportos, quem não está deixando o secretário-geral (da OEA), José Miguel Insulza ir (para Honduras) é que pode ser responsável por algum conflito, que espero que não ocorra." BBC Brasil

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Zé-Laia: 'Lutar pela democracia não deveria ser crime'

A laia do Zé em atividade na Embaixada do Brasil em Honduras: A falta que faz um bom relho!

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que "lutar pela democracia não deveria ser um crime". Em entrevista a um repórter da "France Presse" na noite de ontem, ele disse que é preciso união entre os hondurenhos "a fim de se chegar à paz". Zelaya está desde a segunda-feira abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital do país.

A representação diplomática foi cercada na segunda-feira por policiais e soldados, que expulsaram os partidários do presidente deposto concentrados na área. As forças oficiais, porém, já disseram que não vão invadir o local. Zelaya está na embaixada junto com a mulher, Xiomara Castro, e filho Jose Manuel, além de vários partidários. Em 28 de junho, ele foi deposto em um golpe militar e expulso do país.

O governo de facto, do presidente Roberto Micheletti, fez hoje uma oferta de diálogo para resolver a crise. Porém ressaltou que é preciso que Zelaya descarte voltar ao poder. Micheletti disse que o presidente deposto deve aceitar as eleições que o país realizará em 29 de novembro. Estadão Online


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Zelaya diz que voltou secretamente para evitar violência

Zé-Laia discursa na Embaixada do Brasil em Honduras: Aonde mais um bandido poderia encontrar abrigo?

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, escolheu retornar em segredo à capital do país, Tegucigalpa, para evitar fatos de violência, segundo um comunicado da embaixada hondurenha em Manágua. Os Estados Unidos já reiteraram o seu pedido de que ambos os lados evitem a violência.

Segundo o jornal hondurenho "El Heraldo", que faz oposição a Zelaya, as Forças Armadas estão reunidas na capital para debater o episódio. Esteban Felix/AP

O hondurenho chegou nesta segunda-feira a Tegucigalpa e buscou abrigo na Embaixada do Brasil pois há ordens de prisão expedidas contra ele. Em entrevista concedida à TV Telesur por telefone, Zelaya revelou que já conversou com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, e que aguarda um telefonema do presidente Lula, que viaja para Nova York, onde participará nesta quarta-feira (23) da abertura da Assembleia Geral da ONU.

Na embaixada, o presidente deposto disse aos jornalistas presentes que deseja estabelecer um diálogo pacífico com o governo que se instalou após sua deposição e que quer o "apoio moral" da comunidade internacional para promover a reconstrução democrática de seu país. Folha Online

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Opinião do Estadão: As bondades do compañero Lula

Lula e Evo Molares (colaleiros). Isso é que é presidente popular. Ou vocês têm alguma coisa contra?

Cerca de 70% da droga [produzida na Bolívia] vem para o Brasil. Parte é consumida aqui e o restante é contrabandeado para outras partes do mundo. Trata-se da principal atividade do crime organizado - com o poder de corrupção e de violência que transformaram os morros do Rio de Janeiro em áreas liberadas, onde não entram as instituições do Estado, e que já ameaçam cidades do interior de vários Estados. Não se pode dizer, portanto, que a sorte dos cocaleros bolivianos não interessa a nós, brasileiros.

O problema é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sobre esse problema uma visão muito peculiar, própria de quem acha que deve fazer o possível e o impossível para ajudar o compañero Morales. No sábado, na região do Chapare, o principal centro cocalero da Bolívia, ele não apenas usou um colar feito com folhas de coca, como liberou crédito de US$ 21 milhões para a compra, pelo Brasil, de têxteis bolivianos. Esse crédito era, até 2008, fornecido pelo governo americano, como parte do Programa de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas. Deixou de ser fornecido porque Morales interrompeu o programa de erradicação da coca. Agora, o Brasil faz seu programa às avessas: dá dinheiro para quem produz a droga que envenenará a juventude nas grandes cidades brasileiras.

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Zelaya está disposto a voltar 'de mãos e pés amarrados', diz esposa

Zelaya no Senado: Um zumbi perambulando pelo continente. Olhem a cara de bunda da cacalhada

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, está disposto a fechar um acordo de conciliação com o governo interino ainda que isso signifique regressar com "mãos e pés amarrados" à Presidência, afirmou a esposa do presidente deposto, Xiomara Castro, em entrevista à BBC Brasil.

Segundo Castro, as exigências previstas no acordo de San José sobre o retorno de Zelaya ao poder limitariam as ações do presidente, mas ele estaria disposto a aceitá-las.

"Quando o Acordo de San José fala de um gabinete integrado de reconciliação, quando determina que o presidente não pode retomar o tema da consulta popular e da Assembleia Constituinte, a única exigência reconhecida é a volta dele à Presidência", afirmou Castro, em entrevista por telefone.

"O restante do acordo contempla a intransigência do governo interino, mas ainda assim o presidente está disposto a voltar, de mãos e pés amarrados, para assegurar o retorno à democracia", disse. BBC Brasil

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fernando Lugo: O bispo ‘coelho’

Lugo, El Matador: De bobo esse bispo não tem nada. Essa terceira mulher da imagem é um espetáculo. Atola negão!

Terceira a pleitear paternidade diz que associação de mulheres foi formada para encaminhar pedidos

Damiana Morán, a terceira mulher que afirmou ter um filho com o presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, disse na quarta-feira, 22, que ele é pai de pelo menos seis filhos bastardos e que foi formada uma associação de mulheres para encaminhar os casos de suposta paternidade. À medida que os escândalos de paternidade em série se alastram, a oposição prepara uma ação criminal por "estupro" contra o presidente, e seu vice, o liberal Federico Franco, ameaça romper com ele.

"Formamos uma equipe de trabalho que se encarregará de administrar todos os casos de paternidade. Até o momento tenho a informação de que existem seis casos", afirmou a militante de esquerda. Damiana afirmou ter um filho de 1 ano e 4 meses com o presidente. Ao contrário das outras duas mães, no entanto, ela disse que não entraria com ação de reconhecimento da paternidade nem exigiria pensão alimentícia.

Damiana contou, segundo a AFP, que a ideia de formar a associação surgiu de conversar mantidas com responsáveis da Secretaria da Criança e do Adolescente e da Secretaria da Mulher, dependências do Estado com caráter ministerial. O grupo buscará evitar que a situação "seja manipulada politicamente" por inimigos do presidente. Reuters

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Opinião do Estadão: Liderança contestada

Presidente Lula e o Presidente de Cuba, Raúl Castro, durante cerimônia oficial de chegada ao Brasil

A região [América Latina e Caribe] é mais do que pródiga em pronunciamentos em prol da integração e menos do que apta a manter em pé os seus organismos supranacionais. Se o Mercosul e o Pacto Andino, que reúnem, cada qual, um punhado de países, não funcionam, que dirá uma entidade com 33 membros - que pouco têm em comum além da situação no mesmo continente. Muito menos interesses nacionais, como, aliás, ficou demonstrado na reunião de Sauípe. De resto, não pode ter futuro uma instituição multilateral concebida para se opor a algo, no caso os EUA, e sem nenhum objetivo concreto positivo. Salvo Cuba, os países caribenhos, que aritmeticamente serão a maioria dos sócios desse clube do anti, de tal modo dependem do intercâmbio comercial com a América do Norte que bloquearão qualquer iniciativa substancial (supondo que a Oealc seja capaz disso) de confronto com o "império". Não há de ter sido por outra razão que os seus governantes entraram mudos e saíram calados da conferência na Bahia.

Leia o texto completo aqui.


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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Gente fina - Morales anuncia que só dará entrevistas a jornalistas estrangeiros

Evo Morales come um bolinho com Michelle Bachelet (Chile) na Costa do Sauípe, Bahia

O presidente boliviano, Evo Morales, vai convocar apenas a imprensa internacional para as suas entrevistas coletivas, enquanto os jornalistas do seu país "não pedirem desculpas ao povo pela manipulação que fazem das notícias", informou nesta terça-feira a estatal Agência Boliviana de Informação (ABI).

Morales falou sobre o assunto na segunda-feira no departamento de Cochabamba, na região central do país, antes de viajar para o Brasil onde está participando das cúpulas do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), do Grupo do Rio e da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc).

"Em todo o caso vou convocar jornalistas das agências internacionais, porque penso que são mais responsáveis no tratamento da informação", disse o presidente, segundo a ABI.

Morales mantém uma relação conflituosa com a imprensa do seu país, acentuada após um incidente, na terça-feira passada (09), quando exigiu que um repórter do jornal "La Prensa" ficasse ao seu lado durante uma coletiva no palácio presidencial. O presidente disse que se o repórter não se aproximasse, para receber documentos que supostamente desmentiriam uma matéria do jornal, isso significaria que tinha mentido na reportagem. Folha Online


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Ordem 'injusta e egoísta' prejudica integração, diz Raúl Castro

Raúl Castro é recebido por Lula na Costa do Sauípe, Bahia

O presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou nesta terça-feira, 16, que a crise internacional foi o resultado de uma "ordem econômica injusta e egoísta" e é um obstáculo para a integração econômica da América Latina. Em sua participação na reunião de cúpula do Mercosul, Raúl transmitiu as saudações do "companheiro Fidel", seu irmão, de quem recebeu oficialmente a condução do país no ano passado, depois de quase 50 anos de governo. Ao contrário de Fidel, conhecido por longos pronunciamentos, Raúl leu um brevíssimo discurso, no qual evitou se confrontar diretamente com os Estados Unidos

"Sabemos que o propósito reúne esforços, tem no caminho obstáculos nada desprezíveis, entre eles os efeitos de uma ordem econômica internacional injusta e egoísta que favorece os países desenvolvidos e os interesses das grandes corporações transnacionais", disse. Nesse sentido, o presidente cubano disse que a crise financeira e econômica atual é a "manifestação mais grave e indubitável" do sistema. "A vontade de integração na América Latina tropeça também nas reconhecidas desigualdades nos níveis de desenvolvimento, na insuficiente infra-estrutura, nas grandes injustiças sociais e nas imensas disparidades de receita", advertiu.

No entanto, Raúl Castro disse que Cuba também observa com satisfação os passos para avançar rumo à integração, com políticas que dão prioridade a programas sociais e de infra-estrutura, à complementação econômica e produtiva, e à redução das assimetrias.

Na noite de segunda, ao chegar ao balneário baiano, ele já havia disparado um recado sobre a questão do embargo a Cuba, por meio da imprensa. Afirmou que pretende discutir a questão com os EUA se o futuro presidente americano, Barack Obama, se dispuser. "Se o senhor Obama quer discutir, discutimos. Se não quer discutir, não se discute", afirmou. "É cada vez mais difícil manter Cuba isolada. Nós somos pequenos, mas demonstramos que não é possível nos dominar facilmente", completou. Estadão Online


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sábado, 11 de outubro de 2008

Meteram a mão no baleiro - Presidente aceita renúncia de ministros no Peru

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O presidente do Peru, Alan Garcia, aceitou nesta sexta-feira a renúncia de todos os ministros de seu gabinete, inclusive do primeiro-ministro Jorge del Castillo. Os ministros entregaram seus cargos na última quinta-feira, depois de denúncias de que membros do governo e do partido do presidente estariam envolvidos em fraudes no sistema de licitações para concessões para exploração de petróleo no país.

O premiê negou qualquer envolvimento com o caso e afirmou que os membros do gabinete saem com a "consciência tranqüila".

No último domingo, uma emissora de televisão divulgou gravações de áudio que mostram Alberto Quimper, ex-diretor da estatal Perúpetro (que administra as licitações), e Rómulo León, ex-ministro do primeiro mandato de Garcia (1985-1990), afirmando que receberam pagamentos ilegais da empresa petrolífera norueguesa Discovery Petroleum.

O primeiro-ministro Del Castillo é mencionado nas gravações como alguém que participaria do esquema de fraude nas licitações.
O ministro das Minas e Energia, Juan Valdivia, e mais dois membros de seu gabinete já haviam sido forçados a renunciar na terça-feira.

Investigação

Discovery Petroleum, que ganhou a licitação no Peru, também nega as acusações. Apesar disso, Garcia suspendeu cinco contratos com a companhia na última segunda-feira.

O Congresso do Peru aprovou uma investigação sobre as concessões petrolíferas desde 2006 e vai analisar os contratos assinados entre o país e empresas petrolíferas estrangeiras.

Nos últimos anos, o setor energético do Peru vem impulsionando a captação de milhões de dólares em investimento estrangeiro para a enorme indústria de mineração do país e para o crescente setor de gás e petróleo.

O escândalo poderá abalar ainda mais a confiança da população no governo, cujos níveis de popularidade estão bastante baixos.
Uma pesquisa recente divulgada pelo instituto Ipsos Apoyo indicou que a popularidade de Alan García caiu para 19% no mês passado, em comparação com os 63% de aprovação registrados quando ele assumiu o poder, há dois anos. Último Segundo

Comentário: Lá o ministério renuncia. Aqui, além de zombarem da nossa cara, terem foro privilegiado, a proteção do STF assegura a impunidade dos nossos ilustres políticos e governantes. Bonito pro nosso escórno!


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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Oposição boliviana diz que Morales está "desesperado" por reeleição

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O presidente do Senado na Bolívia, o opositor Óscar Ortiz, afirmou hoje que Evo Morales está "desesperado" para ser reeleito presidente o mais rápido possível e, para isso, quer que seja aprovado um projeto de Constituição que "não tem consenso nacional".

"Vemos um desespero no presidente e seu partido porque ele quer a reeleição o mais breve possível", disse à agência Efe Ortiz, legislador do conservador Poder Democrático e Social (Podemos) e representante de Santa Cruz, reduto da oposição autonomista.

Segundo Ortiz, Morales procura a "reeleição" para aplicar uma Constituição que permita a ele "controlar tudo: as duas câmaras do Congresso, o Tribunal Constitucional, o Tribunal Eleitoral e a Corte Suprema".

"Isso é dar uma fachada constitucional ao que na realidade seria uma ditadura com um regime praticamente de partido único, isso é o que estão querendo conseguir e, certamente, nós não estamos de acordo com isso", disse o presidente do Senado.

Ortiz pediu hoje ao governo mais tempo para alterar o projeto de nova Carta Magna e advertiu que, se isso não acontecer, seu partido votará contra o referendo que deve validar o texto constitucional.

"Vamos voltar a pedir que se dê tempo para alterações e, caso o Movimento ao Socialismo (MAS) se negue, obviamente votaremos contra a convocação", disse o senador Ortiz.

Morales pediu ao Congresso que aprove antes de 15 de outubro a convocação de um referendo que valide a nova Carta Magna, enquanto os movimentos sociais que lhe apóiam iniciarão dois dias antes uma manifestação para pressionar os parlamentares nesse sentido.

Segurança reforçada

O governo da Bolívia anunciou nesta segunda que reforçará a presença militar no departamento (Estado) de Pando, no norte do país que faz fronteira com Brasil e Peru. Será instalado um Comando Amazônico quando terminar o estado de sítio declarado pelo governo há quase três semanas por causa da intensificação dos conflitos armados na região.

O ministro da Defesa boliviano, Wálker San Miguel, declarou à rádio Erbol que "a presença militar vai permitir a geração de uma verdadeira institucionalização" em Pando, onde o Executivo decretou o estado de sítio em 12 de setembro após a onda de violência entre opositores e camponeses pró-governo que deixou pelo menos 18 mortos.

Segundo a Erbol, que cita fontes do governo, o Comando Amazônico consistirá em um contingente formado por soldados da Força Aérea, Naval e Exército que será instalado entre La Paz, o departamento de Beni, no nordeste, e Pando.

San Miguel esclareceu que a instalação do Comando Amazônico não significa uma ampliação do estado de sítio, mas "mais quartéis na zona (...) e maior presença das instituições do Estado" para quando a medida for encerrada.

Morales já tinha anunciado no final de setembro que quando expirassem os 90 dias de estado de sítio, em Pando seria alocada uma "forte presença estatal'. Folha Online


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Petrobras não terá prejuízo no Equador, diz Edison Lobão

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O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta segunda-feira, 6, não crer que a Petrobras venha a ter algum tipo de prejuízo no Equador. Ele fez a afirmação ao comentar as ameaças feitas no fim de semana pelo presidente equatoriano, Rafael Corrêa, de expulsar do país a petrolífera brasileira. "Não acredito que haverá prejuízo para a Petrobras. No caso da Odebrecht, houve uma negociação intensa, e a companhia (brasileira) e o governo equatoriano se entenderam. O mesmo acontecerá com a Petrobras", disse o ministro.

Lobão fez as declarações em entrevista coletiva à imprensa, convocada pelo ministro para tratar de um encontro internacional de pequenos mineradores que começará nesta segunda na cidade de Luziânia, em Goiás.

Correa ameaçou no domingo nacionalizar um dos campos de petróleo explorado pela Petrobras e expulsar a empresa do país, como fez com a construtora Odebrecht no dia 23, caso a companhia brasileira não assine em breve a renegociação de seu contrato.

"Eu me reuni com a Petrobras e chegamos a um acordo muito claro, mas eles estão demorando demais para cumpri-lo", afirmou. "Ou cumprem as exigências ou vão embora do Equador. Não estamos pedindo esmolas, estamos pedindo justiça", continuou.

O ministro brasileiro afirmou que a Petrobras está recebendo "assistência plena" do Itamaraty nas negociações com o governo do Equador. "O assunto está sendo tratado do ponto de vista diplomático", declarou.

Lobão reafirmou que os investimentos no setor de energia não deverão ser afetados pela crise financeira internacional. "Não haverá falta de recursos para o setor de energia, devido ao interesse do mundo em não deixar faltar energia", disse.

A uma pergunta se o setor estaria blindado, Lobão respondeu que sim. O ministro afirmou que, apesar da crise financeira mundial, haverá interessados, no próximo ano, em investir no projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (Pará). Estadão Online


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Opinião no Estadão: Pirotecnia terceiro-mundista

O Mercosul é, em tese, um projeto saudável. Sua rota, do curto ao longo prazo (livre comércio/integração infra-estrutural-união aduaneira e, num futuro por ora utópico, algum grau de associação similar à União Européia), está sendo tumultuada, mas seus tropeços internos e nas posições em negociações abrangentes são suscetíveis de acomodação, embora nem sempre fáceis. Entretanto, esse otimismo, realisticamente moderado, correrá risco caso seja ratificado o ingresso pleno da Venezuela na organização, com os direitos dos sócios fundadores. Na verdade, o risco não decorre propriamente do país Venezuela, de potencial promissor em princípio bem-vindo, mas do regime que o controla. Por que isso?

A Venezuela está vivendo uma situação singular, caracterizada pela visão messiânico-salvacionista de sua política bolivariana ou socialista do século 21- uma versão de nacionalismo populista-distributivista permeada por nuanças de democracia delegativa e limitada: Congresso submisso, politização do Judiciário, restrições à liberdade de imprensa, eleição popular do líder que, entendido como intérprete e representante do povo, personaliza o Estado. Permeada pelo clientelismo e assistencialismo cevados na receita do petróleo e - característica dos regimes dessa natureza - pela hostilidade a um bode expiatório culpado de tudo: o "império", protagonizado pelos EUA. Finalmente, como todo ideário messiânico-salvacionista, também sua versão bolivariana precisa expandir-se, tornar-se supranacional, como pretendia Trotski para o comunismo soviético, criar satélites e neles exercer influência, a exemplo da situação evidenciada na Bolívia hoje.

Nesse quadro dinâmico - novamente, à sombra da receita do petróleo, em grande parte resultante da sua venda ao "império" -, o presidente Hugo Chávez procura criar e liderar um (neo)terceiro-mundismo anacrônico, que cultua a luta de classes entre países mais e menos desenvolvidos, mobiliza psicopoliticamente o povo e ajuda a anestesiar problemas internos. Agora mais centrado na América do Sul, já que os países relevantes do velho terceiro-mundismo do tempo da guerra fria, em particular os asiáticos, estão preferindo se aproximar do Primeiro Mundo, ou até mesmo nele entrar, a se opor a ele (é o caso da Índia), com o presidente Chávez tentando cooptar a simpatia russa, usando para isso sua condição de grande comprador de material bélico russo que, na retórica bolivariana, destinar-se-ia à defesa contra o "império". O programado exercício naval conjunto Venezuela-Rússia no Caribe é parte desse enredo psicodélico: vazio sob a perspectiva estratégica, mas útil ao teatro venezuelano anti-EUA, que a Rússia vê com discreta satisfação...

Num regime assim caracterizado é natural a tendência à politização viciosa da economia, é natural que a conveniência econômica seja influenciada por parâmetros da sua política redentora, entendidos como legitimados pelo ideário salvacionista. Nessas circunstâncias, e dadas as regras do Mercosul, já rotineiramente problemáticas (igualitarismo e consenso), uma vez ratificado o ingresso pleno da Venezuela, muito provavelmente as negociações internas e as do Mercosul com outros países ou organizações supranacionais estarão um tanto reféns das perspectivas políticas do redentorismo (neo)terceiro-mundismo venezuelano (mais propriamente "chavista"), mesmo que em detrimento da lógica econômica. O avanço do Mercosul poderá vir a ser cerceado não só por divergências internas, de solução complicada, mas viável, e mais pela pressão das idiossincrasias petromilagrosas do socialismo do século 21, a que o ingresso pleno terá dado condições de tumultuar a vida da organização. Em razão da sua condição de maior economia, naturalmente interessado na integração supra-regional, conveniente à sua ascensão no quadro global, o Brasil é candidato a ser particularmente atingido.

Na sua decisão sobre a ratificação do ingresso da Venezuela, nosso Congresso deve pensar a respeito: é aceitável para o Brasil, o país de maior peso na organização, sujeitar sua conveniência sensatamente avaliada e a de seus sócios originais às perspectivas redentoras do socialismo bolivariano do século 21? É aceitável para o Brasil (e para os demais sócios originais) admitir que tais perspectivas ameacem o avanço orgânico do Mercosul e de seu relacionamento com o mundo desenvolvido, onde realça o "império" satanizado? Os ganhos econômicos, que provavelmente existirão, do ingresso pleno da Venezuela no Mercosul compensarão os também prováveis embaraços que advirão do condicionamento da organização ao tempero da ideologia visionária do socialismo bolivariano do século 21? Enfim, compartilhar soberania e regras por força da racionalidade econômica é diferente de compartilhá-las por força de posições políticas visionárias. Cabe, portanto, a dúvida: convém-nos mais ratificar o ingresso ou a cautela coerente com a condição do Brasil de país que, em vez de ser parte de uma política "antiimpério", tem condições para se aproximar do Primeiro Mundo, até de ingressar nele? É melhor para o Brasil a pirotecnia ou o pragmatismo que promova seu progresso?

Se já temos tido problemas com a Argentina no tocante às posições de natureza econômica no campo interno (mercado comum, união aduaneira) e nas complicadas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), imaginemos quão mais difíceis serão eles, internamente e em negociações do Mercosul com outras organizações ou países, quando as posições comuns do bloco em temas econômicos passarem a ser influenciadas por humores políticos que tendem a pôr a América Latina em confronto com o mundo mais desenvolvido. O Mercosul - o atual e o cautelosamente ampliado - ver-se-á bloqueado já em seus passos hoje possíveis, no longo caminho para algo que o aproximasse algum dia do que é hoje a União Européia.

Mário Cesar Flores é almirante-de-esquadra (reformado)


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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Opinião do Estadão: A nova Carta equatoriana

Numa votação limpa, certificada por observadores internacionais, o eleitorado equatoriano deu domingo ao presidente Rafael Correa uma inequívoca vitória ao ratificar por maioria de 2/3 o projeto de Constituição aprovado em julho, que ele considera o marco da "refundação do Equador". É um país pródigo em feitos do gênero. Desde a sua fundação, em 1830, acumula 20 Cartas promulgadas - a última em 1998 -, o que o torna, quem sabe, a nação mais constitucionalizada do mundo. Nem por isso avançou em matéria de estabilidade política, mesmo pelos padrões dessa região secularmente deficitária no quesito: nenhum dos três predecessores imediatos de Correa, todos eleitos pelo voto popular, conseguiu cumprir o mandato. A menção se justifica porque é incerto, em princípio, que essa 20ª Constituição, com 444 artigos e 30 disposições transitórias, pretendendo abarcar detalhadamente a vida econômica, política e social do país, seja funcional a ponto de sobreviver além da média histórica de 8,4 anos das anteriores.

De todo modo, conta a favor de sua eventual longevidade o fato de ser muito mais branda, portanto menos divisiva, do que aquelas em que a iniciativa de confeccioná-la se baseou - a da Venezuela de Hugo Chávez e a da Bolívia de Evo Morales, governos com os quais o de Correa se irmana no projeto bolivariano. É certo que a Carta equatoriana concentra inquietante massa de poderes no Executivo. Mas, apesar do seu caráter centralizador, não pode ser confundida nem com a primeira, que, além de liberticida, permitiria a Chávez tornar-se ditador vitalício, não tivesse sido o golpe repudiado no referendo de dezembro último, nem com a segunda, mediante a qual Morales simplesmente quis pôr abaixo as instituições nacionais, em nome do resgate das tradições nativas de autogoverno. (A nova Constituição do Equador atende às demandas dos grupos indígenas, concedendo-lhes alguma medida de autodeterminação e promove o quéchua e o shuar a "idiomas oficiais de relação intercultural", mantida a primazia do castelhano.)

A derrotada oposição a Correa enfatiza o que entende serem as semelhanças da Carta com a legislação chavista. O texto equatoriano autoriza o presidente - que poderá se reeleger uma vez, sujeito sempre a referendo revogatório do mandato - a dissolver o Congresso, desde que com aval do Judiciário. Mas o Congresso também poderá destituir o presidente. Só que a Constituição abre brechas para o Executivo, no processo de transição institucional, usar a sua hegemonia política a fim de orientar a composição futura do Tribunal Supremo de Justiça. Vinte e um dos seus membros serão escolhidos pelo Congresso que resultar das eleições gerais, talvez em janeiro próximo (às quais Correa concorrerá). É de prever que o partido do presidente, a Aliança País, mantenha a maioria obtida na votação que o guindou ao poder. Os oposicionistas também ressaltam que a nova ordem amplia a interferência do presidente também nos órgãos de controladoria do país e nas agências reguladoras de serviços públicos.

A Carta estabelece o monopólio estatal sobre a atividade em setores considerados estratégicos. Note-se, porém, que o setor privado poderá participar da exploração de recursos naturais, se essa participação for vantajosa para o Estado. De resto, o predomínio estatal nesses setores ocorre igualmente nas economias de mercado. E, de qualquer forma, apesar da introdução de tipos de propriedade preconizados pelo bolivarianismo, a livre iniciativa não é varrida do Equador. Terras poderão ser desapropriadas; empresas, nacionalizadas, mediante justa indenização - mas o confisco está expressamente proibido, limitando o intervencionismo do Estado. A Constituição consagra a precedência do interesse coletivo, mas com um contrapeso significativo: esse princípio deixará de valer quando a sua aplicação "vulnerar ou ameaçar vulnerar direitos constitucionais".

A Carta, em suma, não é autoritária de nascença. O problema é o uso distorcido que dela possa fazer o presidente Correa, se se deixar levar pelas emanações do chavismo. Os ares bolivarianos são notoriamente favoráveis a surtos autoritários.


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domingo, 28 de setembro de 2008

Quem bate? - Chávez faz visita surpresa a Cuba

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez uma visita surpresa a Cuba sábado à noite e passou um tempo em um encontro portas fechadas com o presidente Raúl Castro e seu irmão adoentado Fidel.

Um registro no site do jornal da Juventude Comunista “Juventude Rebelde” diz que Chávez desembarcou por volta de 20h30 locais (21h30 de Brasília) e foi recebido no aeroporto por Raúl. Cháves então encontrou-se com os dois irmãos, de acordo com o texto da Internet, que foi publicado perto de meia hora após a chegada do venezuelano. A reportagem não dá mais detalhes e não há comentários adicionais do governo cubano.

Esta foi a segunda visita a Cuba em menos de uma semana de Chávez, que foi a Havana por algumas horas segunda-feira como parte de sua previamente anunciada parada no começo de sua viagem para China, Rússia e Europa. Esta visita de sábado não tinha sido previamente agenda. Durante do dia, no entando, a televisão estatal cubana mostrou imagens de Chávez sendo entrevistado em Portugal, onde ele disse não ter muito para falar porque "Fidel estava esperando" por ele em Havana. Os dois são amigos íntimos e aliados socialistas, e generosos carregamentos de petróleo com preços favoráveis têm ajudadado a manter a economia da ilha. Agência Estado


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sábado, 27 de setembro de 2008

Tá tudo dominado - Correa diz que Odebrecht 'aceita exigências do Equador'

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que a construtora brasileira Odebrecht apresentou a seu governo uma proposta em que "aceita as exigências" do país para o pagamento de indenizações devido a falhas na construção da hidrelétrica San Francisco.

A medida teria como objetivo deixar sem efeito a decisão do governo equatoriano de interromper todas as obras que estão sob responsabilidade da Odebrecht no país, que somam um valor total de US$ 650 milhões.

"Depois de termos recebido um tremendo choque, recebemos ontem o acordo, unilateralmente, firmado", afirmou Correa em seu programa de rádio, neste sábado.

Segundo o presidente equatoriano, no documento a empresa brasileira aceitaria "todas as exigências" feitas pelo governo, que correspondem ao pagamento de uma indenização de US$ 43 milhões pelos prejuízos causados pela paralisação da usina, fechada desde junho, além da reparação total da hidrelétrica. O líder equatoriano disse que "estudará" a proposta para decidir se permitirá que a Odebrecht "continue ou não no país".

Correa disse que seu governo e a construtora haviam avançado em um entendimento, mas que "duas vezes andaram para trás no último minuto". O impasse teria sido o pivô para a assinatura de um decreto firmado por Correa, em que ordena o embargo dos bens da empresa brasileira, a militarização de todas as obras em andamento, além de proibir que os funcionários da empresa deixassem o país.

Dívida

Correa voltou a afirmar que os US$ 200 milhões de empréstimo concedidos pelo BNDES para a construção da usina San Francisco são uma dívida da Odebrecht com o Brasil e não do governo equatoriano. Na quarta-feira, Correa disse que pensava em não pagar o empréstimo para financiar a construção de um projeto "que não presta".

Com uma potência prevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% da energia do país, a central San Francisco foi construída pelo Consórcio Odebrecht - Alstom - Vatech (empresas européias) e inaugurada em junho de 2007. A partir de junho de 2008 a San Francisco começou a apresentar falhas e logo depois foi fechada, o que, de acordo com o governo equatoriano, coloca em risco o abastecimento do país e poderia ocasionar apagões de energia.

A construtora brasileira Odebrecht afirmou que durante seu primeiro ano de funcionamento, a usina hidrelétrica operou, sob a responsabilidade do governo do Equador, com capacidade superior à que havia sido projetada. BBC Brasil


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E o povo que se ferre - Estados Unidos querem suspender preferências comerciais concedidas à Bolívia

David Choquehuanca

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, quer suspender as preferências tarifárias oferecidas a produtos bolivianos sob a justificativa de que o governo da Bolívia não está colaborando com a luta contra o narcotráfico. A decisão foi anunciada ontem pela Representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, 16 dias após a expulsão do embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, acusado de conspiração contra o governo de Evo Morales.

O fracasso da administração de Evo Morales para cooperar nos esforços antinarcóticos nos últimos 12 meses indica que a Bolívia não está cumprindo com os requisitos para beneficiar-se da Lei de Preferências Tarifárias Andinas (ATPDEA)”, justificou Schwab, segundo a Agência Boliviana de Informação.

A ATPDEA prevê tarifa zero para a entrada de 6 mil produtos no mercado americano em troca da erradicação de drogas na Comunidade Andina. O programa foi implementado em 1991, como um reconhecimento dos Estados Unidos ao combate às drogas do Peru, Colômbia, Bolívia e Equador.

O governo boliviano garante que está cumprindo sua parte. Segundo a Agência Boliviana, entre janeiro e setembro deste ano foram erradicados 4,1 mil hectares de coca ilegal no país – a meta anual é de 5 mil hectares. Também foram apreendidas 23 toneladas de cocaína e maconha.

Em coletiva à imprensa em La Paz, ontem (25), o ministro boliviano de Relações Exteriores e Culto, David Choquehuanca (foto), avaliou o corte dos benefícios à Bolívia como “vingança” pela expulsão do embaixador americano e assegurou que continuará negociando com os Estados Unidos e com a Comunidade Andina para que a proposta não seja levada adiante. A suspensão da Bolívia da ATPDEA ainda precisa passar pelo Congresso americano.

Segundo dados da Câmara de Exportadores de La Paz, divulgados pela BBC Brasil, a Bolívia exportou US$ 377 milhões para o mercado americano em 2007. Os produtos com preferências representado por produtos com preferências tarifárias. Agência Brasil


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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O atraso e o perigo do socialismo – O que está em jogo no referendo do Equador

Referendo_no_equador Os equatorianos vão às urnas neste domingo para decidir em um referendo popular se aprovam ou não a nova Constituição do país, que foi debatida durante oito meses por uma Assembléia Constituinte.
Uma nova Constituição para "refundar o país" foi uma das principais promessas de campanha do presidente do Equador, Rafael Correa, que pretende, com a aprovação no referendo, sentar as bases de seu projeto "socialista", que segue o modelo dos vizinhos Venezuela e Bolívia.

"Não estamos elegendo presidente nem prefeito, estamos elegendo o futuro do país, a mudança no sistema político", afirmou o presidente às vésperas do pleito.

Em meio a uma dura campanha marcada por polêmicas entre setores da base aliada do governo, a Cúpula da Igreja Católica e os partidos conservadores, pesquisas de opinião apontam que o "sim" à nova Constituição deve obter mais de 50% dos votos.

A oposição, que defende o "não", afirma que o novo texto constitucional "concentra poderes" nas mãos do presidente e viola "os valores morais" dos equatorianos.

Abaixo os principais pontos de mudança na Constituição que será submetida às urnas:

Economia

A Constituição prevê a substituição da "economia de mercado" pela "economia social". O Estado se reservará o direito de administrar, controlar e cuidar da gestão de setores considerados estratégicos, como o petróleo, mineração, telecomunicações, água e agricultura. O Banco Central também deixará de ser autônomo e a política monetária passará a ser regulada pelo Executivo. Para o governo de Rafael Correa, o fortalecimento do Estado é o ponto de partida para "colocar fim às estruturas neoliberais". Na opinião da base governista, os governos anteriores eliminaram a participação do Estado nos processos de desenvolvimento do país, o que teria aprofundado o empobrecimento da nação.

A oposição, representada pelos partidos conservadores, afirma que o governo pretende repetir "um modelo falido" adotado em outros países, no qual o Estado assume o controle de todos os setores. Os opositores afirmam que, se aprovada a Constituição, a participação do setor privado na economia será subtraída e, com ela, os investimentos estrangeiros no país.

Propriedade

Além da propriedade pública e privada, o Estado "reconhece" e "garante" o direito à propriedade comunitária, estatal, associativa, cooperativa e mista. Todas estarão sujeitas "ao cumprimento de sua função social e ambiental". O texto constitucional outorgaria ao Estado o direito de expropriar terras não produtivas para a reforma agrária e os latifúndios passariam a ser proibidos. Essa é uma das reivindicações dos movimentos camponeses e indígenas, uma das bases críticas, porém aliadas a Correa. A medida é criticada por grandes proprietários que se sentem ameaçados de perder suas propriedades.

Reeleição e revogatório presidencial

O novo texto constitucional inclui o referendo revogatório para a Presidência e demais cargos de eleição pública depois do cumprimento de um ano de mandato. A reeleição presidencial imediata também seria permitida depois de um período presidencial de quatro anos. Se a Constituição for aprovada, serão convocadas novas eleições antecipadas, inclusive para a Presidência da República. Neste caso, Rafael Correa, que conta com um elevado índice de popularidade, principalmente entre os mais pobres - que representam 60% da população - não teria dificuldades em ser eleito novamente. Ao finalizar este eventual novo mandato, sob as regras da nova Constituição, o presidente equatoriano poderia candidatar-se à reeleição, o que lhe permitiria continuar na presidência até 2017.

Direitos homossexuais e reprodutivos

Um dos artigos mais polêmicos é o que outorga o direito à mulher de decidir quantos filhos pretende ter. A proposta foi o pivô de uma dura campanha da cúpula da Igreja Católica e dos partidos conservadores contra a nova Constituição. Apesar de não despenalizar o aborto, na avaliação dos opositores, o texto deixa aberto o precedente para a interrupção da gravidez. Outra proposta duramente criticada pela oposição é a que autorizaria a união civil homossexual e a colocaria em situação de igualdade de direitos com o matrimônio convencional. "É uma Constituição que promove o aborto e a união homossexual, é contra a lei de Deus. O Equador não está preparado para uma sociedade assim", afirmou à BBC Brasil o ex-presidente Lúcio Gutierrez, um dos principais opositores de Correa e defensores do "não" no referendo.

Bases militares

A proposta constitucional não permite o estabelecimento de bases militares estrangeiras ou a presença de instalações ou tropas militares estrangeiras no país. Se aprovada, a Constituição fornece as bases legais para sustentar a decisão de Correa de não renovar o contrato de concessão do território onde está instalada a base militar dos EUA no Estado de Manta, cujo convênio vence em 2010.

Descriminalização do uso de drogas

O uso de drogas passaria a ser tratado como problema de "saúde pública" e não mais como crime. A punição de consumidores de drogas seria proibida. A oposição afirma que este artigo tende a "proteger a criminalidade".

Depois do referendo

Se a Constituição for aprovada, o país entrará em um regime de transição e a Assembléia Constituinte nomeará uma Comissão Legislativa e de Fiscalização para regular as atividades do Estado no período que precede as eleições gerais a todos os cargos públicos. Rafael Correa, que conta com uma popularidade que atinge cerca de 70%, aposta na crise de credibilidade que enfrentam os partidos tradicionais do Equador para conseguir renovar o Congresso e conseguir estabelecer uma maioria parlamentar que possa afiançar seu projeto político. Caso o "não" saia vitorioso, o Parlamento, atualmente em recesso, voltará a legislar e prevalecerá a Constituição elaborada em 1998. BBC Brasil


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