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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Luiz Carlos Prates: 'Nós já estamos num abismo'


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sexta-feira, 10 de junho de 2011

A miséria do “Brasil sem Miséria”

Politicagem e populismo: Cisternas - ‘Do 1 milhão prometido pelo Fome Zero, foram construídas 350 mil em oito anos – pouco mais de um terço. O “Brasil sem Miséria” promete construir as 750 mil cisternas que ficaram faltando da promessa de 2003’

José Serra

Algumas pessoas não se desfazem da roupa que saiu de moda; guardam-na até que um dia ela entre na moda de novo. Parece que algo assim aconteceu com o programa Fome Zero. Ele foi lançado com grande foguetório no começo do governo Lula, como se fosse a salvação da população pobre do Brasil e até do mundo. Mas não emplacou, sem que ninguém fosse informado por quê.  Oito anos depois, eis que ressurge do esquecimento com um novo nome, “Brasil sem Miséria”, num relançamento que também deveria ter sido retumbante. Mas não foi, ou porque o tema já não está tão na moda ou porque o “programa” é só um improviso — ou as duas coisas. Foi tirado da cartola para desviar a atenção da crise que envolvia o então ministro Antonio Palocci.

Nada contra, tudo a favor, o reuso e reciclagem de resíduos sólidos. Mas, em se tratando de políticas públicas, a boa prática está em avaliar e ajustar programas. Com o Fome Zero, não houve nem uma coisa nem outra porque, acima de tudo, faltou execução. Ficou só no nome, que fez sucesso no Brasil e, principalmente, no exterior. É o programa que foi aplaudido sem nunca ter existido. Suas múltiplas ações e metas, divididas em quatro eixos — acesso a alimentos; fortalecimento da agricultura familiar; geração de renda e articulação, mobilização e controle social — pouco saíram do papel. Agora, no “Brasil sem Miséria”, aqueles quatro eixos viraram três, com outros nomes: renda, inclusão produtiva e serviços públicos. As ações e metas, no entanto, são semelhantes.

Vejamos o caso das famosas cisternas. Do 1 milhão prometido pelo Fome Zero, foram construídas 350 mil em oito anos – pouco mais de um terço. O “Brasil sem Miséria” promete construir as 750 mil que ficaram faltando da promessa de 2003! Diga-se de passagem, essas cisternas são, além de virtuais, itinerantes: também já fizeram parte das metas do PAC.

Onde não reusa promessas esquecidas, o novo programa, à moda do PAC, recicla com nova embalagem de marketing ações em andamento. Muitas delas não foram nem sequer iniciadas no governo do PT. É o caso do programa de apoio à agricultura familiar (Pronaf), do programa de microcrédito com assistência técnica (Proger) e do próprio Bolsa Família, que foi a unificação dos programas de transferência de renda criados pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

A propósito: seria importante que o “novo” programa de combate à miséria dissesse algo sobre o fato de as  condicionalidades previstas na lei de 2004, que criou o  Bolsa Família,  não terem sido levadas à sério. Alguém sabe, como requer a lei, se a freqüência dos alunos à escola está sendo verificada, se as futuras mães estão fazendo acompanhamento pré-natal e se as crianças estão sendo vacinadas? Estão sendo cumpridos o monitoramento, a avaliação e a articulação do Bolsa Família com as demais políticas sociais do governo federal, como cursos de formação profissional? Essas são exigências legais inegociáveis.

Cabe registrar, para ser justo, duas novas medidas anunciadas agora, supondo que saiam do papel: a concessão da Bolsa Verde e o aumento do número de filhos com direito ao benefício do Bolsa-Família, cujo limite passa de 3 para 5. O governo federal  fica devendo, porém, dentre muitas promessas de campanha, a coisa mais importante: o atendimento a todas as famílias com renda per capita inferior a 25% do salário mínimo, o que corresponde ao dobro do valor estabelecido pelo Brasil sem Miséria. Afinal, depois de oito anos do governo Lula, há mais de 16 milhões de brasileiros que vivem em situação de miséria extrema.

No cômputo final, descontado o oba-oba publicitário de praxe, convenhamos: o novo programa, que não é novo, é pouco para reanimar um começo de governo cuja principal marca é a hesitação. Ou, se quiserem, é não saber o que quer nem para onde vai.


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Opinião de A Notícia: Bolsa de votos

Dilma, mentirosa e arrogante: A candidata que promete dar continuidade a um governo de ladrões e safados

O vale-tudo eleitoral, que é o sinal mais evidente do baixo nível das relações políticas durante as campanhas, parece estar começando cedo no Brasil. Com base num documento do Ministério do Desenvolvimento Social, advertindo prefeitos de que a gestão do Bolsa-família poderá ser alterada a partir de 2011, o PSDB acusa o governo de fazer uso eleitoral do programa assistencial. Trata-se, evidentemente, de uma discussão motivada, num e no outro lado, pela proximidade do processo eleitoral.

Com milhões de famílias brasileiras beneficiadas por este programa de redistribuição de renda, é evidente que seu potencial eleitoral é sedutor. Seu uso por parte das autoridades que o comandam representa, por isso, algo no mínimo polêmico. Trata-se de um programa do poder público que se iniciou no governo anterior e foi ampliado com outro nome no atual, com efeitos evidentes sobre o nível de vida de imensas populações e com repercussões sobre os indicadores sociais e econômicos do País.

É evidente que os programas sociais devem ser discutidos numa campanha eleitoral e que suas virtudes sejam enfatizadas. Inaceitável é seu uso tendencioso, sem que a verdade seja respeitada. A menção de que, depois de 2011, o Bolsa-família poderia ser mudado, que o Ministério de Desenvolvimento Social atribuiu a um descuido de linguagem, tem uma indisfarçável leitura eleitoral. Foi com base nessa leitura que líderes oposicionistas viram “ameaça desonesta” e espécie de “terrorismo eleitoral”.

Leia mais aqui.


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