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sábado, 18 de junho de 2011

Mensalão: Ministros do STF se mobilizam para impedir manobra pela impunidade dos réus

Joaquim Barbosa: É o ministro do STF encarregado pela relatoria do processo do Mensalão do PT

Um dos principais temores que rondam o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, está sendo resolvido nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos seis ministros estariam dispostos a mudar o entendimento da Corte para evitar que, em caso de renúncia de réus com foro privilegiado, o caso deixe de ir a julgamento.

Confira o especial sobre o escândalo do mensalão

O processo foi aberto há quatro anos para apurar o esquema de pagamento de propina a deputados da base do governo Lula. Depois de ouvidos os depoimentos de mais de 600 testemunhas e produzidas centenas de documentos, tudo pode ser posto a perder se, na véspera da decisão final, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) renunciarem. Eles são os únicos entre os 38 réus que ainda têm direito a foro especial e, por isso, o caso é mantido no STF. Em caso de renúncia, a regra é clara: o processo seria transferido para a primeira instância do Judiciário, com a possibilidade de ser totalmente refeito. A chance de prescrição dos crimes antes do julgamento seria grande.

Julgamento somente em 2012

Seis ministros ouvidos pelo Globo argumentaram que não se pode perder todo o trabalho em virtude de uma manobra dos réus. Portanto, mesmo que os dois parlamentares renunciem ao mandato às vésperas do julgamento, o grupo deverá ser julgado pelo plenário do Supremo. O relator calcula que o julgamento seja marcado para fevereiro ou março de 2012. Na quinta-feira, o processo tinha 213 volumes e 484 apensos. Só na parte dos volumes, há um total de 45 mil páginas.

A discussão sobre o que ocorre com o processo quando o réu com foro privilegiado renuncia ao mandato tomou conta do STF em outubro de 2007. Na véspera do julgamento, o então deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) renunciou. Barbosa, que também era o relator, ficou irritado. Alertou que a manobra poderia ser usada pelos réus do mensalão. Na época, ele recebeu apoio de três colegas: Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia e Cezar Peluso.

- No presente caso, a renúncia do réu ao seu mandato, no momento que incluída em pauta a ação penal, após todos estes anos de tramitação, tem a finalidade clara - e ao mesmo tempo espúria - de evitar o julgamento por esta Corte, que tem competência constitucional para julgar mandatários políticos - disse Barbosa no julgamento de 2007.

- Estabelecer tal precedente (a mudança de foro com a renúncia) nos levaria a praticar atos inúteis, quando esta Corte tem, a seu cargo, problemas gravíssimos que não encontram soluções rápidas e tão céleres quanto todos desejamos - ponderou Peluso.

Mas os outros sete ministros entenderam que o caso deveria ser transferido para vara criminal na Paraíba - o que aconteceu. Como o crime prescreveria naquele ano, Cunha Lima ficou impune. Ele respondia por tentativa de homicídio contra o adversário político Tarcísio Buriti desde 1995.

- A competência desta Corte se limita ao julgamento daqueles que sejam titulares de mandato. É uma competência estrita que não admite alargamentos. E, via de consequência, não sendo viável, não sendo possível reinstalar o acusado na condição de deputado federal, cargo do qual se apartou voluntária e irrevogavelmente, entendo que não subsiste a competência desta Casa - disse no voto a ministra Ellen Gracie, que presidia o tribunal.

Hoje, o plenário do STF é outro. Dois dos ministros que participaram do julgamento não estão mais na Corte. Além disso, ministros que votaram pela transferência do foro mudaram de ideia - especialmente levando em consideração o risco de impunidade. O caso só será discutido em plenário se houver renúncia por parte de João Paulo Cunha ou Valdemar Costa Neto. Como a questão pode ser examinada no futuro, os ministros não quiseram tornar públicas suas opiniões.

- Se houver renúncia no caso do mensalão, estarei disposto a rever minha posição - disse um dos ministros que votou de forma diversa em 2007.

Quando um processo muda de foro, muitas vezes as instruções são refeitas - especialmente os depoimentos. Com isso, é provável haver a prescrição dos crimes antes do julgamento. No caso do mensalão, a prescrição será definida a partir da sentença a ser dada pelos ministros em 2012. Isso porque, segundo o Código Penal, se for arbitrado a pena mínima, a prescrição tem tempo menor e, se for dada a pena máxima, possui prazo maior. Além dos deputados, são réus o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o publicitário Marcos Valério, entre outros. O Globo Online


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terça-feira, 8 de junho de 2010

Laguna: Vereador Cleosmar pega grana do governo e presta contas com notas frias

Do blog do Canga

O vereador do PR de Laguna Cleosmar Fernandes entrou numa fria. Bem, numa fria vírgula. Primeiro meteu a mão numa bufunfa. O plano o foi bem articulado e funcionou a contento até arrancar dinheiro público dos cofres do estado.

A empresa Laguna Convention & Visitors Bureau (com esse nome pomposo só pode ser falcatrua) criada pelo vereador Cleosmar pediu subvenção ao governo e recebeu do Fundo de Desenvolvimento Social a quantia de R$ 70 mil. O dinheiro seria para "proporcionar atividade extra classe para crianças e adolescentes carentes de sete a catorze anos de idade, de forma saudável com equilíbrio e responsabilidade" (legítimo papo peneira 90). A nota é assinada por Maria Rubia de Oliveira Fernandes Oliveira que seria a responsável pelo tal Laguna Convention.

Muito bem, tudo certinho, vem papel e vai dinheiro. A entidade embolsou os R$ 70 mil e depois tinha que prestar contas. Aí começa o rolo. Provavelmente como nenhuma atividade extra curricular (muito vago né?) foi executada com as crianças carentes, a entidade não tinha notas fiscais de compras ou prestação de serviços que comprovasse a aplicação da verba.

Mas isso não é problema para quem sabe fazer rolo com papel. A entidade apresentou uma série de notas fiscais frias. Só que dentro da Secretaria da Fazenda existem alguns funcionários honestos que não compactuam com as falcatruas do governo com seus aliados no interior.

As notas não passaram no crivo da Fazenda e a Laguna Convention foi obrigada a devolver a quantia embolsada. Só que té agora não devolveu nada. O caso foi parar no Ministério Público. Hoje o procurador Geral do MP estará recebendo um calhamaço de documentos que comprovam as falcatruas perpetuadas pela tal Laguna Conventions.

Veja abaixo a friagem das notas e a análise de contas da Secretaria da Fazenda:

 

 

 

 

 


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