sexta-feira, 13 de junho de 2008

Opinião do Estadão: A corretagem imoral do governo

A tropa de choque que o Planalto designou - e treinou - para intimidar a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, no seu depoimento de 9 horas à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, na quarta-feira, terminou a jornada sem motivos para festejar. A qualquer observador isento, ficou nítida a vantagem da responsável por repor na ordem do dia o pantanoso caso da venda da Varig sobre os encarregados de desqualificar as suas denúncias por quaisquer meios, incluindo ataques pessoais. Com palavras fortes e relatos verossímeis, Denise reiterou as acusações formuladas semana passada em entrevista a este jornal, segundo as quais a titular da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a secretária-executiva da Pasta, Erenice Guerra, constrangeram a Anac para que não criasse obstáculos à compra da Varig, em regime de recuperação judicial desde junho de 2005, pela sua antiga subsidiária, a VarigLog.

Esta havia sido adquirida em janeiro de 2006 por um fundo americano de investimentos, com três sócios brasileiros e a assessoria - que se revelaria preciosa - do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. A transação de US$ 24 milhões se consumou em julho daquele ano. Oito meses depois a VarigLog vendeu a Varig à Gol por US$ 320 milhões. Em essência, Denise revelou que a Casa Civil funcionou ao longo do processo como uma ágil corretora de negócios, agindo em várias frentes. De um lado, praticamente impedindo que a Anac checasse a origem dos recursos do trio brasileiro da VarigLog, diante da suspeita de que se tratava de testas-de-ferro do grupo americano, para burlar a exigência do Código Brasileiro de Aeronáutica de que estrangeiros não podem ter mais de 20% do capital de uma transportadora aérea nacional. De outro lado, para garantir que os futuros donos da Varig fossem poupados de herdar as dívidas fiscais, trabalhistas e creditícias da empresa quebrada, no valor de R$ 7 bilhões. E tudo isso a toque de caixa.

"Não recebi ordem de ninguém (para desistir da investigação)", disse Denise em seu depoimento. "Mas fui fortemente questionada (sobre os motivos de sua iniciativa)." Certa vez, a então diretora e outros integrantes do que deveria ser uma agência reguladora independente dos governos, por sua condição de órgão do Estado, foram sabatinados durante 8 horas, no Palácio do Planalto, pela secretária-executiva Erenice Guerra. Numa patente exorbitância, ela insistiu em ser informada, nos mínimos detalhes, do andamento do caso Varig. "Isso não é pressão?", argumentou Denise. "Um servidor público não se sente pressionado? Sente-se." Como se sabe, a ingerência na Anac - "imoral e até ilegal", qualificou ela - funcionou. A agência aprovou sem delongas a composição societária da VarigLog e um recém-nomeado procurador-geral da Fazenda Nacional soltou um parecer contra a sucessão da dívida da Varig, que inspirou sentença no mesmo sentido do juiz Luiz Roberto Ayub, da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pela recuperação judicial da Varig.

A sua venda e posterior revenda seriam impensáveis se, em 2005, o governo não tivesse cedido ao lobby da Varig, introduzindo na undécima hora, na nova Lei de Falências, um artigo feito sob medida para salvá-la, como ficou público e notório. O presidente Lula foi aconselhado por sua assessoria jurídica a vetar esse artigo - o que, obviamente, não fez. O artigo é justamente o que aplica a norma da recuperação judicial a concessionárias de serviços públicos, como companhias de aviação. A lei permite que empresas privadas falidas continuem a funcionar, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos. Mas a extensão desse instituto a concessionárias de serviços representa uma enormidade. Além disso, deu margem à interpretação contestável do juiz Ayub de que os adquirentes da Varig não responderiam pelo seu passivo. Graças ao estratagema do Planalto, uma empresa "insalvável" - que quando já arcava com um déficit operacional da ordem de R$ 200 milhões distribuía cotas de participação nos lucros aos seus diretores e funcionários - tornou-se um ótimo negócio para os seus sucessivos compradores. É o pano de fundo da escandalosa intromissão na Anac denunciada pela ex-diretora Denise Abreu. Seu depoimento cobre de razão a decisão do juiz José Paulo Magano de pedir ao Ministério Público Federal que investigue o negócio.
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Opinião do Estadão: Uma dívida cara demais

Governadores e prefeitos pedem ao Tesouro Nacional um novo acordo sobre suas dívidas com a União, refinanciadas por 30 anos a partir do final dos anos 90. Os juros e a correção monetária são altos demais, argumentam os devedores, e a dívida remanescente depois de cada pagamento cresce de forma assustadora. Alguns pedem autorização para trocar dívida velha por dívida nova e mais barata, contratada com bancos privados ou com instituições financeiras multilaterais, como o Banco Mundial. Outros propõem simplesmente uma revisão do indexador, para deter o crescimento do resíduo.

A renegociação das dívidas foi um desdobramento do Plano Real. Para estabilizar a economia, o governo federal procurou criar condições para o funcionamento efetivo da política monetária e para a recuperação das finanças públicas em todos os níveis da administração. O programa incluiu a privatização de bancos estaduais e o refinanciamento das dívidas de Estados e municípios, incapazes, naquele momento, de pagar seus compromissos.

O Tesouro Nacional assumiu a responsabilidade, perante o setor financeiro, pelos débitos estaduais e municipais e tornou-se credor de Estados e municípios. Para estes não havia escolha, porque se haviam endividado em excesso, a juros muito altos, e não podiam refinanciar-se no mercado.

Tesouros estaduais e municipais ganharam 30 anos para liquidar as dívidas com a União, pagando juros anuais entre 6% e 9%. O saldo seria corrigido com base na variação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). As prestações anuais seriam equivalentes a 13% da receita líquida de Estados e municípios.

O passo seguinte foi a aprovação, no ano 2000, da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei dos Crimes Fiscais, concebidas para disciplinar a gestão financeira de Estados e municípios.

Os governos estaduais e municipais adaptaram-se gradualmente às novas condições, embora com dificuldades para se enquadrar em alguns critérios, como, por exemplo, a limitação de gastos com o funcionalismo. De modo geral, as novas normas produziram resultados satisfatórios. Estados e municípios contribuíram para o alcance das metas fiscais definidas para todo o setor público.

Os encargos da rolagem negociada com o Tesouro Nacional tornaram-se, no entanto, um peso muito grande para muitos Estados e municípios. O pagamento anual de 13% da receita líquida ao Tesouro Nacional já é um sacrifício considerável, mas, apesar disso, os governadores e prefeitos ainda viram avolumar-se um preocupante resíduo financeiro, resultante de uma correção muito alta, bem maior que a inflação medida pela variação dos preços ao consumidor, acrescida de juros entre 6% e 9% ao ano.

Durante esses anos, as condições do mercado financeiro mudaram consideravelmente no Brasil e no exterior. O Tesouro Nacional aproveitou o cenário mais favorável para trocar parcelas de sua dívida antiga por novos financiamentos bem mais baratos. Foi uma decisão correta, mas os Tesouros estaduais e municipais não tiveram acesso a essa facilidade. De acordo com a lei, não poderiam contratar novas dívidas sem autorização federal.

Essa restrição tem sentido quando um governador ou prefeito pretende ampliar seu endividamento. Mas é muito menos defensável, quando o governador ou prefeito pretende apenas tomar um financiamento mais barato para abater uma parcela de sua dívida com a União. Há pouco mais de dez anos, a União substituiu os bancos como credora de Estados e municípios. Era a solução disponível naquele tempo. Agora seria possível percorrer o caminho inverso - dentro de certos limites. Frações da dívida seriam transferidas para os bancos, a custos menores para os Estados e municípios.

A saída alternativa seria a revisão dos encargos cobrados pelo Tesouro. Os encargos pagos pela União são bem mais baixos que o custo suportado pelos Tesouros estaduais e municipais. Há espaço, portanto, para uma redução dos encargos, como pedem alguns governadores e prefeitos. Nenhuma das duas mudanças - a tomada de empréstimos mais baratos, como pretendem alguns, e a revisão dos encargos, como preferem outros - é incompatível com a disciplina fiscal. Todos ganharão, se o governo federal examinar com boa vontade as pretensões de governadores e prefeitos.
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sábado, 7 de junho de 2008

Pra fechar a semana: Paulinho receberia R$ 256 mil de propina, diz PF

O deputado Paulinho da Força (PDT-SP), que a Operação Santa Tereza acusa de envolvimento em organização criminosa para desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), iria receber R$ 256.547,13 referentes a apenas um empréstimo que a instituição concedeu à Prefeitura de Praia Grande (SP). A informação consta de dossiê que a Polícia Federal enviou à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho de Ética da Câmara, onde estão em curso investigações de âmbito criminal e político contra Paulinho.

A PF sustenta que identificou a parte que caberia a Paulinho analisando discos rígidos copiados de computador da Progus Investimentos Consultoria Assessoria, dirigida pelo empresário Marcos Vieira Mantovani, suposto mentor da trama BNDES. A abertura dos HDs levou à descoberta de planilha eletrônica em formato Excel, intitulada "Calculo PG" - documento até então criptografado que foi descodificado pelos peritos federais.

Segundo a PF, a planilha resume a divisão correspondente ao financiamento de R$ 123,9 milhões que o banco de fomento liberou para a administração Alberto Mourão (PSDB), de Praia Grande. O arquivo informa que "o que foi combinado" de propina alcançaria 3% do total do empréstimo - nesse caso, a organização embolsaria R$ 3.100.565,58, dos quais Paulinho ficaria com R$ 387.570,70.

E-mails trocados entre os suspeitos indicam que, após o acerto inicial, houve um desentendimento na organização e a comissão caiu para 2%, equivalentes a R$ 2.052.377,05, que seriam divididos em seis parcelas relativas a cada um dos seis repasses que o banco faria, até início de 2009. O registro da Progus aponta sete nomes que seriam beneficiários da divisão. Os nomes são identificados por iniciais. PA, uma delas, é Paulinho da Força, crava o dossiê da PF. As provas contra o deputado se tornaram mais evidentes na véspera da deflagração (da Santa Tereza), com os cumprimentos dos mandados de busca e de prisão, e também com farto material apreendido em poder de Mantovani e de João Pedro de Moura (lobista aliado de Paulinho), planilhas com divisão da propina recebida pela organização criminosa.Agência Estado
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Opinião do Estadão: A ministra diante da Justiça

De nada adiantou a ministra Dilma Rousseff negar sete vezes que tenha pressionado a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para aprovar a venda da Varig à sua antiga subsidiária, a VarigLog, sem que os compradores tivessem condições legais para efetuar a transação. Ruiu rapidamente a tentativa de abafar o escândalo, como se as denúncias feitas pela ex-diretora da Anac Denise Abreu não passassem de uma desforra de uma antiga funcionária, que na Casa Civil tinha um comportamento "razoável". Já não se trata, como se pretendeu fazer crer, da palavra de Denise Abreu contra a palavra de Dilma Rousseff.

O juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, depois de estudar os autos do processo de dissolução societária da Volo do Brasil - a empresa proprietária da VarigLog - e de ler a entrevista de Denise Abreu e as declarações de outros três ex-diretores da Anac, oficiou ao procurador-geral da República determinando que se investigue a interferência da chefe da Casa Civil no episódio da aprovação da estrutura societária da empresa pela Anac. "A situação caracteriza, a princípio, a prática de ilícito penal envolvendo ministro do Estado." O juiz foi peremptório: "Essa concessão, a meu ver, foi concedida de forma irregular, mas eu não vou capitular os crimes, pois não é função do juiz. É preciso apurar. Mas posso dizer que não é função de um administrador público pressionar ou favorecer alguém."

O juiz José Paulo Magano está julgando uma ação de dissolução de sociedade movida pelos sócios brasileiros da Volo, Marco Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel, contra o sócio americano, o fundo Matlin Patterson. Os sócios brasileiros acabaram sendo afastados judicialmente da empresa por gestão temerária e desvio de recursos da VarigLog. Como a empresa é uma concessionária de transporte aéreo e não pode ser controlada por estrangeiros, o juiz deu prazo de 60 dias para o fundo regularizar sua situação, encontrando sócios majoritários brasileiros. Por fim, o juiz Magano afastou também o chinês Lap Chan, representante da Matlin Patterson, suspeito de desviar recursos de uma conta da empresa na Suíça. O prazo dado para a regularização da empresa termina agora e esse fato, que precipitaria a revelação das irregularidades praticadas na Anac, pode ter levado a ex-diretora da agência Denise Abreu a se antecipar, revelando ao Estado o papel decisivo da ministra Dilma Rousseff na efetivação de um negócio ilegal.

O juiz Magano, aliás, não deixa dúvidas sobre a natureza fraudulenta do negócio. Ele observa que os sócios brasileiros da Volo não tinham condições financeiras para formar a sociedade, nos termos definidos pela lei, e conclui: "Entendo que eles não tinham laços econômicos com o fundo (Matlin Patterson). Foram arregimentados para dar uma aparência de legalidade e conseguir a concessão." Em português claro, eram "laranjas", testas-de-ferro.

E disso sabiam, à época, todas as pessoas ligadas à indústria do transporte aéreo. A própria ex-diretora da Anac Denise Abreu alertou oficialmente os outros diretores, por meio de despacho interno, sobre o vício legal que impediria a compra da VarigLog - e depois da Varig - pela Volo. No documento, ela descreve a "arquitetura" financeira montada para burlar o Código Brasileiro de Aviação, que proíbe que estrangeiros detenham mais de 20% do capital de uma empresa aérea. O despacho foi ignorado e a transação foi efetuada.

A entrevista de Denise Abreu, revelando os bastidores da transação, mostra como e por que a Anac acabou cedendo às pressões da ministra Dilma Rousseff.

No mesmo dia em que o juiz Magano denunciava a existência de ilícito penal ao procurador-geral da República, a Comissão de Infra-Estrutura do Senado convocava para depor Denise Abreu e outros 11 envolvidos no negócio. Entre eles o advogado Roberto Teixeira, o ex-procurador-geral da Anac João Ilídio de Lima Filho (que teria sido pressionado para dar parecer contrário ao exame financeiro dos sócios brasileiros da VarigLog) e o juiz Luiz Roberto Ayub, coordenador da recuperação judicial da Varig. Dilma Rousseff escapou da convocação, mas sua situação é periclitante. Como lembrou o leitor Adolf Zatz, "com tantas acusações contra a ministra da Casa Civil, está faltando o ex-deputado Roberto Jefferson gritar: "Saia logo daí, Dilma, antes que leve o seu protetor, o presidente Lula".
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Eu também não devo nada pra ninguém: Antonio Escorza garante que é inocente

O empresário de Joinville, Antonio Escorza Antonanzas, 56 anos, garante que é inocente das acusações que o levaram à prisão na quarta-feira pela Operação Cartada Final da Polícia Federal (PF). Além de afirmar que não praticou negócios ilícitos relacionados à atividade de caça-níqueis, Escorza, conhecido como "Espanhol", jurou que não tem conta bancária no Exterior.

Essas foram as manifestações do empresário dadas a advogados e ao chanceler do consulado-geral da Espanha em Porto Alegre, José Macias, que o visitaram na carceragem da Superintendência da PF, na tarde desta sexta-feira, em Florianópolis. Escorza, ex-cônsul da Espanha em Joinville, disse também que está bem e não fez nenhum pedido especial na prisão.

No saguão da PF, os advogados e familiares do empresário passaram boa parte da tarde desta sexta. Estavam com cinco sacolas e duas bolsas com roupas, chocolates, copos de plástico e produtos de higiene pessoal. A PF autorizou a entrada apenas de um colchão, pois Escorza já tinha recebido agasalhos no dia anterior.

Os advogados tentaram falar com o delegado federal do setor de inteligência de Brasília que comanda a investigação, mas não conseguiram. O chanceler da Espanha saiu do local com papéis nas mãos e não mostrou o conteúdo dos documentos. José Macias comentou que o consulado ficou surpreso com a prisão e a denúncia que Escorza comandaria uma quadrilha da máfia dos caça-níqueis e lavagem de dinheiro.

Os advogados devem entrar com habeas-corpus para tentar soltar o empresário na semana que vem. Ainda não está definido qual será o advogado criminalista responsável por sua defesa no inquérito. Na quinta-feira, a juíza Ana Cristina Krämer, da Justiça Federal em Florianópolis, soltou a mulher do empresário que havia sido presa em flagrante.

Débora Pinnow tinha sido autuada pela PF por estar com US$ 27 mil, R$ 43 mil e 7,6 mil euros. Os policiais enquadraram ela e Escorza por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A juíza deixou de homologar a prisão contra os dois porque entendeu que o ato não configurava prisão em flagrante.

A mulher foi liberada. O empresário continuou preso pelo fato de também estar com prisão preventiva decretada pelas acusações de uma série de outros crimes ligados aos caça-níqueis. No total, estão presas pela Cartada Final 17 pessoas e duas estão foragidas. A Notícia
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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sempre o bobo: Presidente do TSE reage à declaração de Lula e diz que lei eleitoral não é hipócrita

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, reagiu nesta sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou os limites impostos pela lei eleitoral que não permitem a liberação de verbas para obras no segundo semestre em ano de eleições.

Em discurso no Palácio do Planalto para o lançamento de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Lula chamou as restrições de "falso moralismo" e "hipocrisia brasileira" ao afirmar que vai perder quase um ano de seu mandato sem poder firmar contratos para novas obras do PAC.

"Não se trata de falso moralismo, e a lei não é hipócrita por nenhum modo. Ela ocupa um espaço de moralidade e autenticidade democrática que se fazia necessário", disse Ayres Britto.

Na avaliação do presidente do TSE, as restrições são necessárias para impedir o abuso de poder. "A lei veio com a emenda da reeleição para chefias executivas e se fez necessária exatamente para impedir o abuso do poder político executivo. E nessa medida a lei merece todo o aplauso", afirmou.

Segundo Ayres Britto, a lei eleitoral é violada a cada eleição, apesar das restrições previstas para preservar o equilíbrio de forças entre os candidatos.

"O que pode acontecer nesta nova quadra eleitoral, por efeito de incessantes reclamações das chefias executivas, é um mais detido exame sobre o conteúdo desses dois artigos [que prevêem as restrições], de modo a ponderar ou calibrar legítimos interesses em eventual estado de confrontação. Mas que se exalte de logo, em alto e bom som, a moralizadora base de inspiração da lei 9.504 [eleitoral], que por nenhum modo consagra a hipocrisia", afirmou o ministro. Folha Online
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Imagina. Isso deve ser fogo inimigo: Molon diz que não houve traição no rompimento do acordo com PMDB no Rio

O pré-candidato à Prefeitura do Rio pelo PT, deputado estadual Alessandro Molon, disse nesta sexta-feira não se sentir traído com a decisão do PMDB no Rio de deixar de apoiá-lo. Ontem, o PMDB anunciou rompimento de acordo com o PT para a Prefeitura do Rio. Com isso, deve apoiar agora o ex-secretário Estadual de Esportes Eduardo Paes (PMDB).

"Fomos pegos de surpresa, não esperávamos essa mudança. O PT vinha trabalhando internamente com seus diretórios municipais para construir essa aliança no maior número possível de municípios que se conseguissem. Mas não há nenhuma sensação de traição. O PMDB tem todo o direito de mudar de opinião se não acha que esse é o melhor caminho", afirmou Molon.

O deputado afirmou, contudo, que não vai haver mudanças na decisão do PT em lançá-lo candidato. "Não há nenhuma modificação na determinação do PT de lançar nossa candidatura e de disputar as eleições para ganhar. Quem mudou as suas decisões foi o PMDB. Eu fui escolhido candidato a prefeito do Rio pelo PT e me orgulho de representá-lo. A mudança é do PMDB, o PT continua firme", disse.

Mesmo sem o apoio do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), ele disse acreditar ter condições de disputar o segundo turno das eleições. Disse ainda não ter recebido qualquer comunicado de Cabral sobre a desistência de apoiá-lo. "Foi comunicado pelo presidente do PT no Rio, Alberto Cantalice", afirmou.

Pesquisa divulgada pelo IBPS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social) na quarta-feira mostra Molon com 2,9% das intenções de voto. O senador Marcelo Crivella (PRB) apareceu em primeiro na pesquisa, com 27,6% das intenções de voto, à frente de Jandira Feghali (PC do B), com 15,7%, e do deputado federal Fernando Gabeira (PV), com 14%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Folha Online
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Segura, meu guri: STF abre inquérito para investigar deputado Paulinho

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto abriu hoje o inquérito para investigar os indícios de que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, teria se envolvido no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto pela Polícia Federal (PF) na Operação Santa Tereza. Se durante as investigações forem confirmados os indícios da participação do deputado, o Ministério Público (MP) deverá denunciá-lo ao STF. Se a denúncia for aceita, uma ação penal será aberta contra ele.

Britto determinou que as investigações sejam feitas em segredo para não atrapalhar as diligências que a PF fará por determinação do MP, a quem competirá comandar as apurações. E justamente por estar sob sigilo, o ministro não revelou quais serão os primeiros passos das investigações. As diligências solicitadas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, inclusive quebra de sigilo bancário e fiscal, ainda serão analisadas pelo ministro. Agência Estado
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RR: procurador acusado de pedofilia é afastado

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, afastou o procurador-geral do Estado Luciano Queiroz, preso nesta manhã, sob acusação de pedofilia. Queiroz foi preso com outras seis pessoas que fariam parte da quadrilha investigada pela Polícia Federal.

A investigação, iniciada a partir de relatório produzido pelo Conselho Tutelar do Município de Boa Vista, apontou para um esquema que exploraria sexualmente meninas com idades entre 6 e 14 anos de idade e que contaria com a participação de autoridades, servidores públicos e empresários de Roraima.

Segundo nota oficial divulgada pelo governo do Estado, o governador adotará as medidas administrativas apropriadas caso fique comprovado o crime pelo qual o procurador-geral é acusado. O governador informou ainda que "não tem poderes para controlar a vida pessoal de assessores" e que pedirá ao secretário de Segurança Pública que busque informações sobre o caso.

Prisões

A operação, denominada Arcanjo, prendeu oito pessoas, segundo a PF. Entre os presos, além do procurador-geral, está o major Raimundo Gomes, oficial da Polícia Militar, e Hebron Silva Vilhena, funcionário do Tribunal Regional Federal. Durante a investigação, também foram presas duas pessoas suspeitas de fornecer drogas ao grupo.

Em Boa Vista, os agentes da Polícia Federal também investigaram as residências dos acusados de pedofilia e abuso de menores, entre eles dois empresários. Entre os detidos estavam três pessoas acusadas de integrar, junto com o major da polícia, um grupo que recrutava menores e os oferecia para relações sexuais para diferentes autoridades de Roraima.

O procurador Luciano Queiroz atribuiu a detenção a uma represália da Polícia Federal por sua oposição às operações desta instituição em Roraima. Segundo a Polícia Federal, os acusados de integrar a rede de pedofilia serão processados por seis diferentes crimes, como abuso sexual de menor, aliciação de menor e formação de quadrilha. Redação Terra
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Procurador da Câmara de Florianópolis defende cassação de Juarez Silveira

O procurador da Câmara de Vereadores da Capital, Antônio Chraim, defendeu nesta quinta-feira o processo de cassação dos mandatos dos vereadores Juarez Silveira (sem partido) e Marcílio Ávila (PMDB), em Florianópolis.

O processo de cassação do mandato de Juarez Silveira pela Câmara está sendo contestado na Justiça e o vereador tem grande chance de voltar à Câmara. Para Chraim, o processo "obedeceu aos requisitos legais".

Chraim disse que discorda do desembargador Cid Goulart, que, terça-feira, votou pela devolução do mandato a Juarez, em julgamento na Segunda Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça (TJ).

Goulart sustentou que a Câmara de Vereadores agiu de forma irregular ao abrir o processo de cassação sem formalizá-lo a partir de uma representação firmada pela Mesa Diretora ou por um partido político.

O Tribunal de Justiça (TJ) não analisou as acusações contra o ex-vereador, mas a forma como foi conduzido o processo de cassação. A Câmara, segundo os autos, teria iniciado o procedimento a partir de ofício enviado pela Polícia Federal (PF) ao juiz Zenildo Bodnar, o que, para o desembargador, é ilegal.

Chraim discorda da posição do magistrado e alega que a denúncia foi feita pelo Comissão de Ética a partir de um ofício assinado pelo presidente da Câmara, Ptolomeu Bittencourt Júnior.

Voto de desembargador provocou reviravolta no caso

O voto de Goulart provocou uma reviravolta no julgamento do pedido de anulação da cassação de Juarez. Até o voto do desembargador, os outros dois membros da Segunda Câmara de Direito Público já haviam votado pela manutenção da perda do mandato.

Porém, após o voto de Goulart, um dos membros, César Abreu, voltou atrás e reconsiderou sua posição, manifestando-se a favor de Juarez. Com isso, o placar que era de 2 a 0 contra o ex-vereador passou a ser 2 a 1 a favor.

O relator deve apresentar seu voto-vista na próxima terça-feira, quando o julgamento será encerrado.

Caso o relator mantenha seu posicionamento, contrário à anulação da cassação, Juarez volta à Câmara tão logo as partes e o Ministério Público sejam notificados da decisão.

A única hipótese de o ex-vereador ser mantido afastado do cargo será se o relator conseguir convencer os outros dois desembargadores a mudarem seus votos, o que é considerado remoto, embora não impossível.

Juarez e Marcílio Ávila perderam os mandatos sob acusação de envolvimento na Operação Moeda Verde, da Polícia Federal (PF), que investigou supostas irregularidades na concessão de licenças ambientais na Capital. Ambos negam as acusações. ClicRBS

Comentário: Não duvido nada se um caco como esse voltar pro legislativo(??).

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